Como parte do grupo global G4S, um dos maiores fornecedores privados de segurança do mundo, a G4S Angola estabeleceu-se no mercado em 2010 e tornou-se um key player em soluções integradas de segurança. Quais foram os marcos mais significativos no desenvolvimento da empresa e de que forma contribuíram para o seu posicionamento como parceiro de confiança?
Sr. Venâncio:
A G4S está oficialmente no mercado angolano desde 2010, tendo iniciado a sua operação com um único cliente, a Embaixada Americana, no contexto do investimento privado promovido pelo governo na altura. Sendo uma empresa global de referência, rapidamente despertou o interesse de multinacionais e do setor diplomático, o que permitiu uma expansão inicial significativa, sobretudo no setor petrolífero, que chegou a representar cerca de 80% do portfólio, enquanto o setor diplomático representava aproximadamente 15%.
A exigência e os padrões elevados impostos pelo governo americano contribuíram para elevar o nível de serviço da G4S no mercado angolano, diferenciando-a da concorrência. Em 2014, a introdução de uma nova legislação que limitava a participação estrangeira no setor obrigou a empresa a adaptar-se, mantendo os mesmos padrões internacionais de qualidade.
Um momento crítico ocorreu em 2021, com a perda da Embaixada Americana, o maior cliente da empresa, o que resultou numa redução significativa da força de trabalho e obrigou à redefinição estratégica. A empresa reformulou a sua abordagem comercial, diversificou os seus serviços e introduziu diferentes níveis de oferta — serviços essenciais, standard, golden e premium — permitindo alcançar clientes com diferentes capacidades financeiras.
Essa estratégia possibilitou a expansão geográfica e setorial da empresa, reduzindo a dependência do setor petrolífero e diplomático. Atualmente, a G4S conta com um grupo diversificado de grandes clientes, refletindo uma abordagem mais equilibrada e sustentável de crescimento.
Ao operar num ambiente de segurança complexo e em constante evolução, a G4S Angola oferece uma ampla gama de serviços. Poderia partilhar alguns indicadores de desempenho recentes, como número de colaboradores, clientes e escala das operações?
Sr. Venâncio:
Globalmente, a G4S opera em dois segmentos principais: Secure Solutions e Cash Solutions. Em Angola, a empresa atua unicamente no segmento de Secure Solutions, que inclui segurança física, proteção de pessoas e ativos, gestão de risco e segurança eletrónica.
Atualmente, a G4S Angola conta com mais de 90 clientes, distribuídos por diversos setores, e está presente em 17 das 21 províncias do país, uma evolução significativa face à presença inicial em apenas três províncias. Em termos de recursos humanos, a empresa cresceu dos cercade mil trabalhadores antes de 2018 para cerca de quatro mil atualmente.
A empresa realiza regularmente inquéritos de satisfação junto dos clientes, conduzidos por entidades independentes a nível global, com resultados positivos, incluindo recomendações por parte dos clientes. Em relação aos colaboradores, cerca de 80% demonstram satisfação com a empresa, destacando-se a valorização do capital humano e as oportunidades de progressão de carreira.
O volume de faturação tem crescido consistentemente a dois dígitos ao ano, e o plano estratégico prevê a duplicação do negócio nos próximos dois anos, com o objetivo de atingir cerca de oito mil trabalhadores.
Nos últimos anos, a G4S tem investido em inovação e tecnologia. De que forma estas iniciativas têm melhorado a eficiência operacional e a gestão de riscos?
Resposta: A G4S tem evoluído de um modelo tradicional baseado em recursos humanos para um modelo de segurança integrada, combinando tecnologia, pessoas e processos. A utilização de sistemas tecnológicos permite antecipar riscos, melhorar a eficiência operacional e reduzir a dependência exclusiva da intervenção humana.
A empresa implementa soluções como sistemas de monitorização remota, CCTV, alarmes, sensores de intrusão e plataformas integradas como o Risk 360, tecnologia exclusiva da G4S, que é uma plataforma de gestão de informação completa, concebida para segurança, risco e tecnologia, fornecendo informação de gestão em tempo real e gestão de equipas de segurança. Estas soluções permitem gerar alertas, relatórios personalizados e uma gestão mais eficaz dos riscos.
A tecnologia não substitui totalmente o fator humano, mas complementa-o, permitindo que os profissionais se concentrem em tarefas mais estratégicas e reduzindo falhas operacionais. Esta abordagem contribui para uma prestação de serviços mais eficiente e orientada para a prevenção de riscos.
De que forma as parcerias estratégicas, nomeadamente com empresas multinacionais, têm contribuído para o desenvolvimento da G4S Angola?
Sr. Venâncio:
As parcerias com multinacionais têm sido o catalisador da nossa excelência operacional. Estes clientes trazem um DNA de exigência global que nos desafia a elevar, diariamente, o patamar dos nossos serviços. Mais do que fornecer segurança, absorvemos e adaptamos as melhores práticas internacionais para a realidade angolana. Este intercâmbio permite que a G4S lidere a transição do modelo de segurança tradicional para uma abordagem tecnológica e integrada. Para sustentar este nível, investimos fortemente nos nossos centros de formação próprios, garantindo que o nosso capital humano não apenas atenda, mas antecipe as necessidades de um mercado em constante evolução.
Qual tem sido o impacto das iniciativas sociais e ambientais da G4S Angola nas comunidades locais?
Sr. Venâncio:
A nossa estratégia de Responsabilidade Social Corporativa está intrinsecamente ligada à nossa eficiência operacional. O impacto da G4S Angola divide-se em três pilares fundamentais:
Quais são as prioridades estratégicas da G4S Angola para os próximos anos?
Sr. Venâncio:
As nossas prioridades para os próximos anos assentam num binómio claro: Expansão e Inovação. Queremos consolidar a nossa liderança em setores críticos, como o Oil & Gas e o Diplomático, enquanto desbravamos terreno na Mineração, Agricultura e Construção.
Um pilar central desta estratégia é a transição para a Segurança Eletrónica. Estamos a investir fortemente em tecnologia de ponta para diversificar as nossas fontes de receita e, crucialmente, otimizar o nosso modelo de negócio, reduzindo a dependência exclusiva do Manned Security (segurança física). Com apenas 2% de quota de mercado em número de efetivos, vemos os restantes 98% não como um desafio, mas como um vasto oceano de oportunidades para implementar soluções integradas que combinam inteligência tecnológica com a nossa reconhecida perícia operacional.
Enquanto líder da G4S Angola, quais foram as decisões estratégicas e princípios de liderança que mais influenciaram o seu percurso?
Sr. Venâncio:
Uma das decisões mais marcantes foi a transição de uma estratégia premium para uma abordagem mais competitiva e inclusiva, permitindo alcançar um maior número de clientes e sustentar o crescimento da empresa. Contrariamente à estratégia inicial de focar apenas em grandes clientes, optou-se por diversificar a base de clientes, incluindo pequenas e médias empresas.
Outra decisão importante foi investir no desenvolvimento interno de talento, especialmente em períodos de restrição na contratação. A aposta na formação e progressão interna permitiu criar uma equipa sólida e autónoma.
Em termos de liderança, destaca-se a importância da confiança, transparência e proximidade com os colaboradores, incluindo o contacto direto com equipas operacionais. O objetivo é construir uma organização sustentável, onde a sucessão e o desenvolvimento de líderes internos garantam a continuidade do negócio.
O legado pretendido é o de uma empresa baseada na confiança, que evolui de prestadora de serviços para parceira estratégica dos seus clientes, contribuindo simultaneamente para a criação de emprego e o desenvolvimento da sociedade.