Artur Duarte
CEO da Tranquilidade Angola

1. Quais foram os momentos mais decisivos que moldaram a posição atual da Tranquilidade em Angola, e que lições estratégicas este percurso proporcionou?

A trajetória recente da Tranquilidade, especialmente desde 2012, foi marcada por três momentos estruturantes:

  • Adaptação ao novo quadro regulatório, com destaque para a Lei n.º 18/22, que reforçou as exigências em governação, provisões técnicas, gestão de risco e transparência.
  • Reforço do capital social em 2024, passando de 747 milhões para 5 mil milhões de kwanzas, consolidando a solidez financeira e aumentando a capacidade competitiva.
  • Reestruturação organizacional orientada para eficiência, com reforço das equipas comerciais, verticalização das áreas de sinistros, operações e subscrição, e maior foco na comunicação e transparência.

Estas etapas evidenciaram a importância da solidez financeira como base do crescimento sustentável e da agilidade estratégica num mercado sujeito a elevada volatilidade económica.

2. Como é que a missão da Tranquilidade se traduz nas decisões de alocação de capital e reforço da solidez financeira num ambiente regulatório exigente?

A missão da Tranquilidade — proteger, gerar confiança e acompanhar o desenvolvimento do país — orienta diretamente as suas decisões financeiras:

  • Aumento extraordinário do capital social para 5 mil milhões de kwanzas, excedendo o requisito mínimo e assegurando robustez prudencial.
  • Início de uma fase de crescimento sustentado, assente em equipas fortalecidas e maior foco na eficiência técnica e operacional.

3. Qual é a visão de longo prazo da Tranquilidade para Angola e como se diferencia num mercado regulado, concentrado e com baixa penetração de seguros?

Apesar de ter registado 473,7 mil milhões Kz em prémios em 2024, o mercado mantém uma penetração baixa (0,6% do PIB). A visão da Tranquilidade baseia-se em:

  • Oferta especializada para segmentos estratégicos: corporate, PME, vida e saúde.
  • Promoção da inclusão financeira e do acesso a instrumentos de proteção.

A diferenciação ocorre através de:

  • Parcerias estratégicas sólidas com corretores, mediadores, bancos, empresas e instituições.
  • Forte capacidade técnica, reforçada pela experiência do grupo e equipas qualificadas.
  • Produtos simples, modulares e acessíveis.

4. Que parcerias financeiras, tecnológicas ou institucionais a Tranquilidade privilegia para fortalecer o posicionamento e acelerar a inclusão seguradora?

Além do trabalho próximo com corretores e mediadores, a Tranquilidade aposta em:

  • Parcerias de bancasseguros, essenciais para proteção das atividades bancárias e democratização do acesso ao seguro.
  • Parcerias tecnológicas que permitem digitalização e acesso facilitado dos clientes.
  • Parcerias institucionais e empresariais que ampliam canais de distribuição e reforçam a presença da marca.

5. Como é que o contexto macroeconómico angolano influencia as decisões estratégicas da Tranquilidade?

Num ambiente caracterizado por volatilidade cambial, dolarização e dependência do petróleo, as decisões estratégicas incluem:

  • Produtos ajustados ao risco económico, com coberturas flexíveis.
  • Foco em sectores resilientes: saúde, acidentes, corporate e riscos industriais.
  • Reforço das relações com resseguradores internacionais para mitigar riscos de grande dimensão.
  • Apesar dos desafios, o mercado oferece oportunidades relevantes, sobretudo devido à baixa penetração de seguros e à crescente necessidade de proteção financeira.

6. Que tipo de liderança e cultura organizacional são necessárias para atrair e reter talento em Angola?

A liderança da Tranquilidade assenta em ética, resiliência, humanismo e inovação. A cultura organizacional promove:

  • Incentivo à inovação e aprendizagem contínua.
  • Valorização de talento jovem e diversidade.
  • Estruturas ágeis, transparentes e orientadas a resultados.

6.1. Como os programas de formação se traduzem em desempenho e sustentabilidade?

Os programas de estágios técnicos e comerciais, lançados trimestralmente, contribuem para: Formação de talento local qualificado. Desenvolvimento de futuras lideranças. Aumento da produtividade, qualidade de serviço e inovação.

Estes programas fortalecem a competitividade e sustentabilidade no longo prazo.

7. Como os princípios ESG estão integrados na estratégia e qual o papel do sector segurador na transição verde?

O enquadramento ESG está integrado na cultura e governação da empresa, promovendo prudência, ética e transparência. O sector segurador contribui para a transição verde através de:

  • Produtos que promovem resiliência climática e cobertura de riscos ambientais.
  • Apoio ao financiamento sustentável e projetos verdes.
  • Ações sociais focadas na juventude, educação e inclusão.

8. Que princípios de liderança orientam a visão do CEO Artur Duarte e qual o papel das seguradoras na próxima década?

Na minha perspetiva o futuro do sector passa por:

  • Contribuir para um Angola mais resiliente.
  • Apoiar a diversificação económica com soluções adaptadas.
  • Expandir a inclusão financeira e a literacia sobre risco.
  • Reforçar o papel das seguradoras como catalisadores de desenvolvimento sustentável.

Mensagem final:

A Tranquilidade posiciona-se como um parceiro estratégico do desenvolvimento de Angola — financeiramente sólido, tecnicamente competente e comprometido com inovação, inclusão e valor sustentável. Conta com uma equipa jovem, motivada e alinhada com os valores da marca, assegurando crescimento e impacto positivo no país.

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