1. Como a PayPay África construiu o seu posicionamento no mercado angolano, e que marcos demonstram melhor o crescimento da empresa?
Wilson Ganga:
A PayPay começou há quase seis anos, e estamos agora a entrar no sexto ano de atividade.
A PayPay é uma carteira digital no mercado angolano. Tivemos de batalhar durante algum tempo para conquistar o nosso espaço, mas conseguimos fazê-lo.
Dentro da carteira digital, a pessoa pode transferir dinheiro para qualquer pessoa, e o valor cai na hora. Pode transferir para qualquer banco ou para qualquer número de telefone. Também pode levantar dinheiro em cash, carregar a conta, pagar televisão, Netflix, Spotify, Apple Music e outros serviços internacionais diretamente dentro da PayPay.
O nosso objetivo é adicionar cada vez mais serviços dentro da aplicação. No futuro, não quero que as pessoas tenham de usar vários aplicativos. Quero que tenham apenas a PayPay, uma carteira que faça tudo.
A pessoa pode jogar, fazer encomendas online, pagar por QR Code, pedir empréstimos e receber pequenos créditos quase na hora. Se precisar de 20 ou 30 mil kwanzas, a PayPay pode disponibilizar esse valor.
Estamos a transformar a PayPay numa verdadeira aplicação financeira.
Um dos novos serviços que deverá entrar este ano, possivelmente ainda este mês, é a possibilidade de enviar dinheiro para fora de Angola. O cliente poderá mandar dinheiro para qualquer parte do mundo, como França, China ou Estados Unidos, e o valor será refletido na hora.
Isso será uma grande inovação para o país, porque muitas pessoas precisam desse serviço. Também será possível criar cartões virtuais para pagar serviços no exterior.
O nosso maior desafio este ano é que a PayPay já tem mais de 1,2 milhão de clientes, mas uma grande parte do mercado angolano continua fora do sistema bancário. Cerca de 80% do mercado não tem conta bancária.
Estamos a trabalhar para trazer esses clientes do mercado informal para o sistema formal. Quando conseguirmos fazer isso, sentiremos que o negócio valeu realmente a pena.
2. Que números demonstram melhor a escala atual da PayPay África e a sua contribuição para a economia digital de Angola?
Wilson Ganga:
Temos cerca de 1,2 milhão de clientes que já usam a aplicação no dia a dia.
Também estamos a movimentar quase 600 mil milhões de kwanzas por mês. É muito dinheiro e mostra que há muito movimento dentro da plataforma.
Movimentamos mais dinheiro do que vários bancos no mercado, e isso mostra que o negócio funciona.
A PayPay começou do zero. Criámos tudo, desde o próprio logotipo, e com o tempo a empresa foi crescendo.
3. Como a PayPay África está a utilizar a tecnologia para melhorar a forma como pessoas e empresas realizam pagamentos em Angola?
Wilson Ganga:
Neste momento, muitas empresas e comerciantes usam TPA, mas nós temos uma solução através de código.
A pessoa pode escanear um QR Code e o pagamento fica feito. Também pode inserir o código do comerciante diretamente na aplicação. Por exemplo, se um comerciante tiver um código específico, o cliente coloca esse código na aplicação e o pagamento é feito.
Assim, os comerciantes já não precisam de se preocupar tanto com TPA, com falhas do terminal ou com outras confusões. Depois do pagamento, recebem uma notificação por SMS com o valor recebido.
Essa é uma parte da inovação que estamos a desenvolver para os nossos parceiros.
Também criámos um pequeno marketplace dentro da PayPay, onde gerentes e comerciantes podem colocar os seus produtos. Os clientes podem procurar esses produtos dentro da aplicação, como se fosse um shopping mall digital.
Também ajudamos a divulgar os serviços desses comerciantes. Essa é outra forma de inovação que estamos a trazer para o mercado.
4. Que parcerias foram mais importantes para a PayPay África, e onde vê novas oportunidades para construir parcerias mais fortes?
Wilson Ganga:
A MasterCard e a Western Union foram grandes parceiros para nós, porque ajudaram a desbloquear a parte dos pagamentos e transferências internacionais.
Também temos muitos outros parceiros. A Unitel é um grande parceiro oficial e temos várias parcerias que nos ajudam no dia a dia a escalar o negócio.
Um dos maiores parceiros que temos também é a Shein. Sempre que uma pessoa faz uma encomenda pela Shein, precisa pagar o imposto através da PayPay. É importante pagar esse valor; caso contrário, a encomenda não avança.
Estamos também à procura de outras lojas internacionais, como a Zara e outras plataformas que as pessoas usam para fazer encomendas, para desenvolver o mesmo tipo de solução. Quando as encomendas chegam, é necessário pagar o imposto aduaneiro, e a PayPay pode facilitar esse processo.
5. Que ações concretas está a PayPay África a desenvolver para promover finanças digitais responsáveis, seguras e inclusivas?
Wilson Ganga:
Todos os dias estamos presentes nas praças, com agentes a promover a inclusão financeira.
É difícil, mas estamos sempre a procurar novas formas de levar educação financeira às pessoas, especialmente às mamãs nas praças.
Uma das soluções que criámos nesse sentido é o crédito na hora. Estamos a tentar ensinar e promover a inclusão financeira junto dessas comunidades, mostrando como podem usar serviços digitais de forma simples, segura e útil.
6. Como a PayPay África está a criar valor duradouro para pessoas, empresas e comunidades em Angola?
Wilson Ganga:
Apoiamos comunidades todos os meses.
Não se trata apenas de doações, embora também façamos doações. Patrocinamos atletas que viajam para fora do país para competir. Patrocinamos artistas e apoiamos a cultura.
Também patrocinamos um centro de arte para crianças numa escola, que estava a ser concluído.
Na área do entretenimento, apoiamos DJs e eventos. Fazemos e patrocinamos muitos eventos. Estamos presentes em várias áreas da sociedade para apoiar e ajudar as pessoas.
7. Quais são as principais prioridades da PayPay África para expansão, investimento e criação de valor de longo prazo?
Wilson Ganga:
O nosso foco principal é alcançar os cerca de 80% de angolanos que não têm conta bancária e trazê-los para dentro do nosso sistema.
Esse é o nosso grande objetivo: promover inclusão financeira. Quando conseguirmos trazer essas pessoas para o sistema, sentiremos que a missão da PayPay está a ser cumprida.
A PayPay também permite que uma pessoa sem conta bancária possa usar a carteira digital. Ela pode ir a um agente, depositar dinheiro e o valor fica imediatamente disponível na carteira para usar.
Se quiser levantar dinheiro, também pode ir a um agente e fazer o levantamento. É parecido com um banco, mas com uma rede de agentes PayPay em Luanda e noutras partes de Angola.
Quem tem conta bancária também pode transferir dinheiro da sua conta para a PayPay, e o valor cai na hora.
Estamos também a preparar a possibilidade de carregar a carteira com cartões Visa, MasterCard ou outros cartões internacionais. A pessoa poderá inserir o cartão, carregar a carteira e o valor será descontado no cartão.
Essa parte já está pronta para lançamento, mas ainda estamos a tratar da componente regulatória com o BNA. Temos licença para pagamentos online e carteira digital, mas essa nova funcionalidade envolve também questões cambiais. Já submetemos o processo para aprovação.
Queremos fazer tudo corretamente, by the book, porque sabemos que, quando esse serviço for lançado, muita gente vai usar. Não queremos ter problemas depois. Preferimos esperar pela aprovação e avançar de forma segura.
Já temos até publicidade preparada para o aeroporto. Quando os estrangeiros chegarem a Angola e precisarem de kwanzas, poderão usar a PayPay em vez de recorrer ao mercado informal. Sabemos que este é um problema real para muitas pessoas, e as condições já estão criadas. Agora estamos apenas à espera da aprovação.
8. O seu percurso empreendedor abrange vários projetos digitais em Angola, incluindo tecnologia, entregas, mobilidade e agora fintech. De que forma a sua experiência moldou a sua visão para a PayPay África, e que legado gostaria de construir para a economia digital de Angola?
Wilson Ganga:
Acredito que já comecei a criar um legado.
A minha visão é transformar Angola e África numa espécie de Dubai, através do desenvolvimento de projetos, inovação e novas soluções.
Tudo o que faço está ligado a essa visão de futuro. Todos os dias, o objetivo é aproximar-nos desse caminho.
Angola é um país fantástico, com muitas oportunidades de negócio. O país precisa de líderes e de jovens com vontade de trabalhar para conseguirmos chegar mais longe.
É preciso ter visão e vontade. Eu quero aproveitar a energia que tenho agora, enquanto tenho força para trabalhar e construir.


































































































