1. A empresa está presente em Angola há mais de três décadas. Como evoluiu o grupo até se tornar uma referência no setor logístico nacional?
A nossa presença em Angola remonta a 1991. Ao longo de mais de trinta anos, crescemos de forma independente, sempre com foco na conformidade, profissionalismo e sustentabilidade do negócio.
O nosso percurso foi marcado por uma decisão estratégica clara: operar com elevados padrões de ética e transparência, construindo relações baseadas em mérito técnico, competitividade e qualidade de serviço.
A partir de 2007, iniciámos uma expansão estruturada das nossas operações logísticas. Em 2009 adquirimos a nossa primeira frota própria de camiões. Em 2010 investimos na nossa base logística. Desde então, desenvolvemos armazéns em diferentes fases — 2014, 2019, 2022 e em 2025 — consolidando a nossa posição como um dos principais operadores de logística integrada em Angola.
Hoje, somos líderes em soluções 3PL e 4PL, oferecendo serviços completos de logística, transporte especializado e gestão de cadeia de abastecimento.
2. O setor logístico angolano sofreu uma transformação significativa na última década. Como a empresa se posicionou nesse novo contexto?
O mercado angolano evoluiu profundamente, sobretudo após a retração económica que levou muitas empresas a repensar os seus modelos operacionais.
Historicamente, as grandes empresas mantinham estruturas logísticas próprias — frota, armazéns, equipas internas. Com a necessidade de maior eficiência e flexibilidade, surgiu uma oportunidade clara para operadores especializados.
Foi nesse contexto que fortalecemos a nossa proposta de valor: oferecer soluções logísticas altamente técnicas, com variabilidade operacional, controlo de custos e padrões internacionais de qualidade.
Esse movimento permitiu-nos assumir um papel central na profissionalização do setor logístico no país.
3. Em termos de liderança de mercado, em que áreas específicas a empresa se destaca atualmente?
Somos líderes em três áreas principais:
- Logística Integrada 3PL e 4PL (Orelog)
Gerimos armazenagem especializada (alimentar, farmacêutica, química), distribuição diária e cadeia de frio para clientes que exigem padrões internacionais. Somos atualmente o único operador logístico em Angola com certificação FSSC 22000 em segurança alimentar.
- Transporte de Cargas Sobredimensionadas (Oreytex)
Especializámo-nos em engenharia e transporte de cargas de grande dimensão e peso, incluindo equipamentos industriais complexos. Trabalhámos com empresas globais como General Electric, Mitsubishi, MAN, Wärtsilä, Andritz, Voith, entre outras. Desenvolvemos competência técnica local para executar projetos de elevada exigência.
- Agência de Navegação (Orey Liner)
Representamos um dos maiores armadores globais no mercado angolano, operando também na RDC e Moçambique. Esta posição consolidou-nos como referência no comércio internacional, particularmente nas rotas Ásia–África.
4. A inovação é um dos pilares do relatório deste ano. Como a tecnologia está a transformar as vossas operações?
Para nós, inovar significa reduzir erro, aumentar precisão e elevar padrões.
Implementámos sistemas avançados de workflow digital, análise de processos e ferramentas inteligentes de classificação aduaneira que permitem reduzir drasticamente erros operacionais.
Se, no passado, a libertação de um contentor podia levar vários dias, hoje conseguimos entregar carga no próprio dia da chegada, totalmente desembaraçada.
A inovação, para nós, não é apenas tecnológica — é operacional e sistémica.
5. A dimensão humana parece ser um eixo central da empresa. Como definem a vossa cultura organizacional?
Somos uma empresa de ativos intensivos — mas o nosso maior capital são as pessoas.
Empregamos atualmente cerca de 650 colaboradores. Acreditamos que não é possível prestar um serviço de excelência sem colaboradores motivados.
Desenvolvemos programas estruturados de:
- Formação contínua
- Bolsas universitárias para filhos de colaboradores
- Programas de saúde familiar
- Refeições diárias subsidiadas
- Apoio social estruturado
Investimos significativamente em bem-estar, não como benefício acessório, mas como estratégia de produtividade e retenção.
O nosso objetivo é ser reconhecidos como uma organização onde as pessoas têm orgulho em trabalhar.
6. Como abordam as questões ambientais e de sustentabilidade?
Temos vindo a reforçar a nossa responsabilidade ambiental de forma pragmática e estruturada.
Implementámos:
- Sistemas de separação e tratamento de resíduos
- Gestão certificada de efluentes industriais
- Parcerias com operadores especializados em reciclagem
- Programas educativos nas comunidades locais
Paralelamente, beneficiamos de um contexto energético nacional cada vez mais baseado em fontes renováveis, sobretudo hidroelétricas, o que contribui para reduzir a pegada de carbono das nossas operações.
A sustentabilidade, para nós, é um processo evolutivo, adaptado à realidade económica do país, mas alinhado com padrões internacionais.
7. Qual é a sua visão para Angola enquanto destino de investimento?
Angola tem registado uma transformação estrutural relevante, particularmente na infraestrutura energética, rodoviária e industrial.
O país dispõe de recursos naturais, capacidade hidroelétrica significativa e potencial agrícola elevado.
Acreditamos que Angola reúne condições para atrair investimento industrial estratégico, especialmente em setores que exigem energia competitiva e logística estruturada.
O papel de operadores logísticos sólidos é precisamente apoiar essa transição e facilitar a integração do país nas cadeias globais de valor.
8. A nível pessoal, qual é o legado que gostaria de deixar?
O meu maior legado será sempre humano.
Se conseguirmos consolidar uma organização sustentável, tecnicamente competente e onde as pessoas se sintam valorizadas, então teremos cumprido a nossa missão.
Empresas constroem-se com ativos. Mas lideranças constroem-se com pessoas.


































































































