1. Como parte de um grupo industrial global com operações em mais de 90 países, como descreveria o papel estratégico da Atlas Copco Angola dentro da estratégia mais ampla de crescimento da empresa em África e no Médio Oriente, e quais foram os principais marcos na consolidação de uma forte presença local no ecossistema industrial angolano?
Marcelo Zoéga:
A Atlas Copco é um grupo industrial global com mais de 150 anos de experiência e presença em mais de 90 países, oferecendo soluções de ar comprimido, vácuo, energia, ferramentas industriais e montagem. Em Angola, onde estamos presentes oficialmente desde 2008, desempenhamos um papel estratégico no apoio aos sectores da construção, indústria transformadora, petróleo e gás, energia e mineração.
A nossa presença local foi consolidada através da disponibilização de tecnologias eficientes e sustentáveis, focadas na eficiência energética, redução de custos operacionais e aumento da fiabilidade dos equipamentos. Um dos principais marcos da nossa operação em Angola foi precisamente a decisão de estabelecer uma presença direta no país, permitindo-nos apoiar de forma mais próxima os clientes e garantir assistência técnica especializada, serviços após venda e formação contínua.
Hoje, a ampla presença dos equipamentos Atlas Copco em grandes projetos nacionais é uma evidência da confiança que o mercado deposita nas nossas soluções e da relevância do nosso contributo para a modernização industrial do país.
2. A Atlas Copco fornece soluções industriais críticas nas áreas de ar comprimido, vácuo, energia e sistemas de montagem. Poderia partilhar uma visão geral das operações da empresa em Angola, incluindo os principais sectores servidos, a dimensão das actividades, o número de colaboradores e a forma como a procura tem evoluído nos últimos anos?
Marcelo Zoéga:
A Atlas Copco em Angola integra a rede global do grupo, fornecendo soluções industriais críticas nas áreas de ar comprimido, vácuo, energia e sistemas de montagem, com enfoque em sectores-chave da economia nacional.
No país, a empresa actua principalmente nos sectores de petróleo e gás, mineração, construção, indústria transformadora e energia, onde a fiabilidade dos equipamentos e a continuidade das operações são factores críticos. As soluções de ar comprimido, gases industriais e energia continuam a ser das mais requisitadas, dada a forte presença da indústria extractiva e de projectos de infra-estrutura.
Relativamente à dimensão das actividades, a Atlas Copco em Angola mantém uma operação estruturada para suporte comercial e técnico, garantindo proximidade com os clientes e capacidade de resposta local. A equipa de colaboradores está distribuída entre funções comerciais, técnicas, adiminstrativas e de serviços ao cliente.
A operação em Angola está focada na venda de equipamento, peças eprestação de serviços, assegurando manutenção, assistência técnica e suporte aos equipamentos instalados, garantindo soluções sustentáveis ao mercado.
Quanto à evolução da procura, nos últimos anos tem-se observado uma tendência de recuperação e crescimento acelerado, impulsionada pela retoma de investimentos no sector petrolífero, incentivo à industrialização e pela diversificação económica em curso no país. Existe igualmente um aumento da procura por serviços de manutenção e optimização de eficiência energética, reflectindo uma maior preocupação das empresas com a redução de custos operacionais e sustentabilidade.
De forma geral, a Atlas Copco em Angola posiciona-se como um parceiro técnico de longo prazo, adaptando a sua oferta às necessidades do mercado local e reforçando a componente de serviços para acompanhar a evolução da procura.
3. Um dos principais pilares de inovação da empresa é o seu ecossistema “Smart Factory” e “Smart Integrated Assembly”, que combina ferramentas conectadas, sistemas de automação, software, soluções IoT e análise de dados para criar ambientes industriais mais inteligentes e eficientes. Poderia aprofundar esta abordagem e partilhar outras iniciativas de inovação que tenham sido implementadas pela Atlas Copco e que considere relevantes destacar?
Marcelo Zoéga:
A inovação está no centro da estratégia global da Atlas Copco. O nosso ecossistema “Smart Factory” e “Smart Integrated Assembly” representa uma evolução importante na forma como as operações industriais são geridas, integrando automação, análise avançada de dados, sensores inteligentes e sistemas conectados que permitem monitorização em tempo real e manutenção preditiva.
Estas soluções ajudam os clientes a melhorar a eficiência energética, reduzir paragens não planeadas, aumentar a produtividade e otimizar os custos operacionais. Entre as iniciativas que merecem destaque estão os nossos compressores de ar de alta eficiência e baixo consumo energético, os equipamentos ultracompactos e a plataforma SMARTLINK, um sistema conectado de monitorização preditiva para compressores.
Além disso, a Atlas Copco continua a investir fortemente em investigação e desenvolvimento, através dos seus centros globais de competência localizados em diferentes regiões do mundo, como Europa, Índia e China. O conhecimento desenvolvido nesses centros é transferido continuamente para as equipas locais, permitindo-nos oferecer soluções adaptadas às necessidades específicas do mercado angolano.
4. À medida que a Atlas Copco Angola continua a reforçar a sua presença em sectores como mineração, energia, construção e indústria transformadora, as parcerias estratégicas assumem um papel cada vez mais relevante na promoção da eficiência operacional, modernização tecnológica e crescimento industrial sustentável. Poderia explicar quais os tipos de parcerias que têm sido mais importantes para o desenvolvimento da empresa em Angola, particularmente com clientes industriais e entidades públicas ou privadas, e como prevê a evolução destas colaborações nos próximos anos?
Marcelo Zoéga:
As parcerias estratégicas têm sido fundamentais para o desenvolvimento da Atlas Copco em Angola. Trabalhamos de forma muito próxima com clientes industriais, distribuidores, prestadores de serviços e fornecedores locais, promovendo transferência de conhecimento técnico, capacitação profissional e implementação de tecnologias modernas.
Estas colaborações permitem-nos desenvolver soluções adaptadas à realidade operacional dos nossos clientes e contribuir para o fortalecimento das cadeias de valor locais. Além disso, temos investido fortemente na formação contínua das equipas e no desenvolvimento de competências técnicas especializadas, o que reforça a competitividade do setor industrial nacional.
Nos próximos anos, acreditamos que estas parcerias irão evoluir para modelos ainda mais integrados e colaborativos, especialmente nas áreas de digitalização industrial, eficiência energética, sustentabilidade e modernização de infraestruturas industriais.
5. Alinhada com os objectivos globais de sustentabilidade do Grupo para 2024–2025, a Atlas Copco Angola tem registado progressos significativos na redução das emissões de Scope 1 e 2, no reforço da eficiência energética das suas soluções industriais e no avanço de princípios de economia circular no desenvolvimento dos seus produtos. Poderia explicar de que forma estas iniciativas ambientais estão a ser implementadas localmente e quais os impactos mensuráveis alcançados até ao momento? Adicionalmente, como está a Atlas Copco Angola a reforçar os seus pilares sociais e de governação corporativa?
Marcelo Zoéga:
A Atlas Copco incentiva a utilização responsável de recursos e práticas sustentáveis através de tecnologias energeticamente eficientes, monitorização inteligente para reduzir desperdícios e formações orientadas para boas práticas ambientais. O objetivo é ajudar os clientes a operar com menor impacto ambiental, maior eficiência e custos operacionais reduzidos.
A Atlas Copco assegura a monitorização e mitigação dos impactos ambientais através de sistemas de controlo em tempo real, avaliação contínua de emissões e consumos, e planos de mitigação alinhados com padrões internacionais de sustentabilidade. Estas práticas garantem operações mais seguras, eficientes e com menor impacto ambiental ao longo de todo o ciclo dos projetos.
A nível local, a Atlas Copco Angola reforça estas iniciativas através da otimização do consumo energético das suas operações, da introdução de equipamentos de alta eficiência (incluindo soluções elétricas e híbridas) e da promoção de práticas de economia circular, como a manutenção preventiva, recondicionamento e reutilização de equipamentos. Estas ações têm contribuído para reduzir consumos energéticos, emissões de CO₂ e desperdícios operacionais, ao mesmo tempo que aumentam a durabilidade dos ativos e a eficiência dos clientes.
Adicionalmente, a empresa implementa práticas rigorosas de gestão de resíduos, uso eficiente de recursos e controlo de materiais, assegurando a conformidade com normas ambientais internacionais. Os impactos já observados incluem reduções relevantes no consumo energético (frequentemente na ordem dos 20% a 60% em aplicações específicas), menores custos operacionais para os clientes e melhoria global do desempenho ambiental das operações.
No pilar social, a Atlas Copco Angola investe no desenvolvimento de competências locais através de formação contínua, promove elevados padrões de saúde e segurança no trabalho e participa em iniciativas de responsabilidade social junto das comunidades.
Relativamente à governação corporativa, a empresa segue políticas rigorosas de ética, compliance e transparência, com sistemas de controlo interno e gestão de risco robustos, assegurando o alinhamento com os princípios ESG e com os padrões globais do Grupo Atlas Copco.
6. Olhando para o futuro, quais são as principais prioridades estratégicas da Atlas Copco Angola para os próximos 3 a 5 anos, particularmente no que diz respeito à expansão da sua presença operacional e ao reforço do seu papel no apoio ao desenvolvimento industrial e à diversificação económica de Angola?
Marcelo Zoéga:
A visão estratégica da Atlas Copco para Angola está assente em três grandes pilares: ser o principal parceiro para a eficiência operacional da indústria angolana através da modernização industrial do país, expandir a sua presença local e contínua capacitação e desenvolvimento das pessoas que integram sua equipa e sociedade.
Para concretizar esta visão nos próximos 3 a 5 anos, a empresa pretende reforçar a sua presença operacional através da expansão de infraestruturas, aumento da cobertura de serviços técnicos e proximidade com os clientes nos principais pontos industriais do país. Este crescimento será acompanhado pelo fortalecimento das equipas locais, investimento na formação de talento angolano e desenvolvimento de competências técnicas avançadas, garantindo um suporte cada vez mais ágil e especializado.
Adicionalmente, a Atlas Copco Angola irá continuar a apostar na introdução de tecnologias inovadoras e energeticamente eficientes, com foco na digitalização, automação e monitorização inteligente de equipamentos industriais. Estas soluções permitirão aos clientes melhorar a produtividade, reduzir custos operacionais e minimizar o impacto ambiental das suas atividades, contribuindo assim para uma indústria mais competitiva e sustentável.
No contexto da diversificação económica de Angola, a empresa procura reforçar o seu papel como parceiro estratégico em diferentes setores para além do óleo e gás, incluindo construção, mineração, energia, indústria transformadora e infraestruturas. Ao disponibilizar soluções robustas e adaptadas às necessidades locais, a Atlas Copco contribui para o desenvolvimento de cadeias de valor mais resilientes e para a redução da dependência de setores tradicionais.
Paralelamente, a organização continuará a integrar os princípios de sustentabilidade e inovação nas suas operações, promovendo práticas alinhadas com os objetivos globais do Grupo, nomeadamente a redução de emissões, eficiência no uso de recursos e economia circular.
Desta forma, a Atlas Copco Angola posiciona-se não apenas como fornecedor de equipamentos, mas como um parceiro de longo prazo no desenvolvimento industrial do país, apoiando a modernização tecnológica, a capacitação local e a construção de uma economia mais diversificada e sustentável.
Nos próximos anos, pretendemos reforçar a nossa infraestrutura local para garantir uma resposta ainda mais eficiente aos clientes, expandir os serviços disponíveis no país, introduzir novas tecnologias no mercado angolano e desenvolver projetos adaptados às necessidades específicas da indústria nacional.
Continuaremos igualmente focados na aceleração da transição energética industrial, promoção da sustentabilidade através da inovação, fortalecimento da digitalização industrial e desenvolvimento técnico local. Angola representa um mercado estratégico com elevado potencial de crescimento em sectores como energia, construção, mineração, indústria transformadora, água e saneamento, e queremos continuar a contribuir ativamente para o desenvolvimento económico e industrial do país.
7. Com uma carreira distinta de mais de três décadas na Atlas Copco, ao longo da qual desempenhou funções nas áreas de engenharia, qualidade, vendas, gestão de produto e liderança regional de processos, assumindo actualmente o cargo de Country Manager em Angola com responsabilidade operacional e financeira integral, de que forma estas experiências diversificadas e multidisciplinares.
Marcelo Zoéga:
Ao longo de mais de três décadas na Atlas Copco, tive o privilégio de crescer com a empresa, de aprender continuamente e de viver realidades muito diferentes dentro da organização. Passei por áreas técnicas, comerciais e de liderança, e cada uma delas deixou uma marca profunda na forma como vejo o negócio e, sobretudo, na forma como vejo as pessoas.
Essa trajetória ensinou-me que a liderança não se constrói apenas com conhecimento técnico ou experiência, mas com empatia, escuta ativa e a capacidade de inspirar confiança. Ter estado próximo do terreno, dos desafios da engenharia, das exigências da qualidade e da pressão dos objetivos comerciais deu-me uma visão muito humana do que é trabalhar em equipa e do que cada função representa no sucesso coletivo. Hoje, lidero com essa consciência – de que por trás de cada resultado existem pessoas, esforço e dedicação diária.
A minha filosofia de liderança é profundamente orientada para o desenvolvimento das pessoas. Acredito que liderar é, acima de tudo, criar condições para que os outros cresçam, se desafiem e descubram o seu potencial. Procuro ser acessível, presente e coerente, alguém que não apenas define uma direção, mas que caminha lado a lado com a equipa, celebrando conquistas e aprendendo com os desafios.
Em Angola, esta visão ganha ainda mais significado. Mais do que gerir uma operação, sinto uma responsabilidade genuína de contribuir para o desenvolvimento do talento local, de abrir portas e de ajudar a construir um ambiente onde as pessoas sintam orgulho no que fazem e no impacto que geram. É extremamente gratificante ver equipas a evoluir, a ganhar autonomia e a assumir um papel cada vez mais relevante no crescimento da empresa e do país.
Quanto ao legado que gostaria de deixar, penso nele de forma simples, mas muito significativa: gostaria de deixar pessoas mais confiantes, mais capacitadas e preparadas para irem mais longe do que eu fui. Gostaria que a Atlas Copco Angola fosse reconhecida não apenas pelos seus resultados, mas pela cultura que construiu – uma cultura de integridade, colaboração, compromisso, inovação e respeito.
Se um dia puder olhar para trás e perceber que contribuí para formar líderes, fortalecer equipas e consolidar uma organização mais humana, mais forte e mais próxima dos seus clientes, então sentirei que cumpri verdadeiramente o meu propósito.


































































































