1. Para começarmos, gostaria de falar sobre o percurso da empresa e a sua contribuição para o desenvolvimento das infraestruturas de Angola. O Grupo TECNOVIA conta com mais de 60 anos de experiência em engenharia e construção, e a TECNOVIA Angola já entregou projetos importantes em aeroportos, estradas e pontes. Neste sentido, que marcos demonstram melhor como a empresa tem ajudado a desenvolver a capacidade de infraestrutura de Angola?
Luís Damião:
O grupo tem, efetivamente, 64 anos, e a empresa em Angola conta com 34 anos de atividade no país.
A atividade iniciou-se na área das infraestruturas, essencialmente nas estradas. Nos últimos anos, houve uma mudança em termos do tipo de obras, e passámos também a atuar no setor de oil and gas. Neste momento, temos uma componente importante nas obras ligadas a esse setor.
A nível de grupo, estamos presentes em três continentes: Europa, América Latina e África. Temos obras importantes em aeroportos e portos, nomeadamente nos Açores e na Madeira. Temos também grandes obras de infraestruturas, estradas e aeroportos em Portugal continental.
Na América Latina, neste momento, a atividade é reduzida, mas também executámos infraestruturas, estradas e edifícios.
Aqui em Angola, a componente principal foi, efetivamente, a área das estradas.
2. Falando agora de crescimento, gostaria de compreender melhor a escala atual da empresa em Angola. A TECNOVIA Angola já entregou projetos complexos de infraestrutura em aeroportos, estradas e pontes, apoiando a mobilidade e a conectividade no país. Tendo em conta este percurso, que números demonstram melhor a escala, o desempenho e o impacto da empresa em Angola hoje?
Luís Damião:
Neste momento, em Angola, temos em média um volume de negócios de aproximadamente 75 milhões de dólares.
O grupo, nos últimos anos, tem evoluído e crescido. No ano passado, apresentou um volume de negócios de cerca de 350 milhões de dólares, apresentando uma tendência de crescimento.
Curiosamente, houve uma fase em que o número de colaboradores do grupo aumentou. Neste momento, apesar de continuarmos a crescer, temos estabilizado o número de colaboradores em todo o grupo.
Aqui em Angola, entre as obras mais emblemáticas que poderia mencionar está a Nó da Samba, que foi uma infraestrutura rodoviária importante, porque anteriormente o trânsito era caótico, nesta zona da cidade.
Também destacaria a Ponte Molhada e algumas infraestruturas em Cabinda, onde temos uma presença importante desde a constituição da empresa
3. Agora, falando de inovação e execução técnica, a entrega de infraestruturas hoje depende de melhor planeamento, engenharia mais robusta e execução mais eficiente no terreno. Com base na experiência da TECNOVIA, como está a empresa a utilizar a inovação e o conhecimento técnico para entregar projetos com maior qualidade, segurança e eficiência?
Luís Damião:
Temos feito um investimento grande em qualidade, ambiente e segurança.
Neste momento, somos certificados em qualidade e estamos também em processo de certificação em ambiente e segurança.
O facto de, em 2023, termos iniciado atividade no setor de oil and gas fez com que a exigência desse setor, que é elevada, contribuísse para uma evolução positiva da TECNOVIA Angola.
Isso aconteceu nomeadamente através do reforço de quadros e do reforço de planeamento.
Já entregámos, e estamos na fase final da documentação técnica, um trabalho de infraestruturas civis para a refinaria de gás do Soyo, para a Saipem. Foi uma obra que marca, efetivamente, o percurso da TECNOVIA Angola no ramo da energia, nos últimos anos
4. E, claro, a entrega de projetos deste nível também depende de parcerias sólidas e experiência internacional. O Grupo TECNOVIA opera em três continentes e construiu uma rede com mais de 20 empresas. Tendo em conta esta experiência internacional, como está a TECNOVIA Angola a construir parcerias mais fortes e a entregar projetos com padrões mais elevados?
Luís Damião:
Aqui em Angola, temos feito parcerias com outras empresas, nomeadamente de prestação de serviços e trabalhos de engenharia
Temos também trabalhado com os nossos parceiros na execução de obras, nomeadamente porque temos uma capacidade instalada de fornecimento de materiais, como betão, betuminoso e agregados.
Trabalhamos com empresas que operam em Angola, no fornecimento e aplicação desses materiais.
5. Passando agora para a sustentabilidade, o Grupo TECNOVIA publicou a sua primeira declaração de sustentabilidade em 2024 e reportou que 95% dos seus resíduos foram encaminhados para valorização. Em termos práticos, como está a TECNOVIA a integrar esta agenda de sustentabilidade nos seus projetos e operações em Angola?
Luís Damião:
Em Angola, penso que, a nível do país, ainda há muito por fazer.
Mas nós, na medida do possível, encaminhamos para valorização tudo o que sejam óleos de máquinas, pneus usados e sucatas.
Essencialmente, este tipo de resíduoes constituem o maior volume, uma vez que resultam da nossa atividade, que está relacionada com a utilização de equipamentos e centrais industriais.
Mesmo nas centrais, em termos de agregados, não desperdiçamos nenhum material.
6. Para além dos próprios projetos, gostaria também de falar sobre o impacto que as infraestruturas podem ter nas pessoas e nas comunidades. Os projetos de infraestrutura criam valor através de melhores ligações, empregos e competências para as comunidades locais. Tendo em conta este papel mais amplo, como está a TECNOVIA Angola a reforçar as suas práticas ESG e a criar impacto duradouro nas comunidades onde trabalha?
Luís Damião:
Ao longo do ano, temos uma série de atividades em que envolvemos os colaboradores e as comunidades mais desfavorecidas.
Também damos aos nossos colaboradores a possibilidade de se associarem a essas iniciativas e darem um pouco de si à comunidade.
Entre essas atividades estão, nomeadamente, a entrega de kits escolares, atividades nos mangais e outras ações do mesmo género, junto das comunidades locais nas zonas de actuação da Tecnovia
São atividades distribuídas ao longo do ano e que já vêm sendo realizadas há alguns anos.
7. Olhando para o futuro, a agenda de infraestrutura de Angola está a ganhar um novo impulso, especialmente à medida que o Corredor do Lobito atrai grande financiamento internacional e atenção regional. Tendo em conta este contexto, quais são as principais prioridades da TECNOVIA Angola para futuros projetos, crescimento e criação de valor a longo prazo?
Luís Damião:
As nossas prioridades passam, efetivamente, pelo estabelecimento de parcerias que nos permitam participar nessas infraestruturas com o nosso know-how.
Esse know-how inclui tanto o fornecimento de materiais, como betão, betuminoso e agregados, como também a execução dos trabalhos necessários para essas infraestruturas, como terraplanagens e obras de engenharia.
Neste momento, em Angola, temos um parque de máquinas com mais de mil equipamentos. Portanto, estamos a tentar estabelecer parcerias nesse sentido.
8. Para terminar, gostaria de lhe fazer uma pergunta mais pessoal sobre liderança e legado. Como PCA da TECNOVIA Angola, lidera uma empresa envolvida em infraestruturas que ligam pessoas, territórios e oportunidades económicas. Tendo em conta esta responsabilidade, de que conquistas mais se orgulha, e que legado gostaria de deixar no setor da construção e infraestrutura em Angola?
Luís Damião:
Como só cheguei em julho, ainda não tenho muitas conquistas pessoais para destacar.
O legado que gostaria de deixar é, efetivamente, que a TECNOVIA Angola participe nas grandes obras do país, obras que sirvam as populações através da criação de infraestruturas que permitam acrescentar valor.
Refiro-me tanto às infraestruturas básicas como às infraestruturas necessárias para o desenvolvimento futuro.


































































































