1. A Easygest atua como uma empresa privada angolana nas áreas de economato, fornecimento de equipamentos e serviços empresariais, tendo também ganhado visibilidade através da sua participação na Viva Luanda e no processo de privatização de ativos hoteleiros em Angola. Neste sentido, que marcos definem melhor a evolução da Easygest e de que forma posicionaram a empresa no desenvolvimento do sector privado angolano?
Amin Herji: Antes de mais, importa referir que a Easygest é uma holding com participações em sete empresas que atuam em diferentes sectores estratégicos da economia angolana.
A Casa Nova é a empresa mais antiga do grupo, com mais de 30 anos de atividade, dedicada ao mobiliário e material de escritório e para o lar. Ao longo deste percurso consolidou-se como uma marca de referência, distinguida como Superbrand consecutivamente nos últimos 4 anos e em 2026, reconhecida também como Escolha do Consumidor nas categorias de Material de Escritório e Mobiliário de Escritório.
A nossa estratégia tem passado por crescer de forma sustentada. Expandimos a presença da Casa Nova de norte a sul do país, com lojas em Cabinda e, mais recentemente, no Namibe, continuando a avançar para outras províncias porque acreditamos no enorme potencial de crescimento de Angola.
Começámos na área comercial e, fruto da confiança dos nossos clientes, evoluímos para a indústria, produzindo mobiliário nacional certificado com o selo Feito em Angola. Hoje estamos a aumentar a capacidade produtiva com uma nova unidade industrial na Zona Económica Especial, preparando-nos para responder ao mercado nacional e aproveitar as oportunidades de exportação para a região da SADC.
Outro marco importante é a evolução da Elnor, que nos últimos anos reforçou a sua presença no sector da saúde através de parcerias com fabricantes europeus e asiáticos, fornecendo equipamentos e medicamentos certificados. Paralelamente, estamos a desenvolver uma rede de farmácias, reforçando a nossa presença nesta área.
No sector agroindustrial, importa destacar a evolução da DILOG – Agrocomércio e Distribuição, empresa do grupo dedicada ao sector alimentar. Face aos desafios que afetaram a atividade de importação e distribuição de bens alimentares, decidimos redefinir a estratégia e apostar no agronegócio, dando um novo rumo ao projeto. Foi neste contexto que adquirimos a Tomagro, no âmbito do programa de privatizações do Estado. Estamos a recuperar esta unidade industrial para processar tomate produzido no Namibe, criando valor para a produção nacional, garantindo mercado para os agricultores locais e contribuindo para a redução das importações. O projeto conta ainda com uma parceria estratégica que assegurará a distribuição dos produtos em todo o país.
Temos igualmente a Sinova, dedicada à arquitetura, engenharia e reabilitação de interiores, responsável por projetos em escritórios, residências, museus e espaços comerciais.
Na área da hotelaria e restauração, temos vindo a consolidar a marca Viva como uma referência de excelência. No Namibe, recuperámos uma unidade hoteleira e demos origem ao Viva Hotels, um projeto que valoriza o enorme potencial turístico da província e, simultaneamente, assume um papel pioneiro ao introduzir o conceito de hotel executivo, alinhado com os padrões internacionais de hospitalidade, proporcionando uma experiência de excelência de lazer e negócios, cada vez mais presente na região.
Na restauração, contamos atualmente com três conceitos. O Viva Luanda é hoje um dos restaurantes mais reconhecidos e premiados da capital, pela qualidade da sua gastronomia internacional e tradicional angolana. Esse mesmo padrão foi levado para o Viva Namibe, integrado no hotel. Mais recentemente, inaugurámos o Viva Grill, localizado no coração da cidade, junto à emblemática Marginal de Luanda, um conceito mais acessível e dinâmico que mantém o requinte, a qualidade e a identidade da marca Viva.
Mais recentemente, destacaria a Primetech, empresa tecnológica do grupo. A necessidade de tornar as nossas empresas mais eficientes levou-nos a desenvolver soluções próprias de software, culminando no lançamento da plataforma Intellixia, apresentada na ANGOTIC. É uma solução criada em Angola, por talento maioritariamente angolano, para gestão inteligente de ativos, demonstrando que também é possível inovar e desenvolver tecnologia competitiva no país.
No centro de tudo isto está uma filosofia muito simples: crescer através de parcerias sólidas, investir nos talentos nacionais, apostar na inovação e construir empresas cada vez mais organizadas, eficientes e preparadas para o futuro. É desta forma que acreditamos estar a contribuir para o fortalecimento do sector privado angolano.
2. Pode falar um pouco mais sobre os números? Que números demonstram melhor a dimensão atual do grupo? Por exemplo, o número de empregos diretos e indiretos, a evolução das vendas de um ano para o outro, entre outros números.
Amin Herji: Atualmente, o Grupo Easygest emprega cerca de 300 colaboradores, distribuídos pelas diferentes empresas. Este número deverá crescer significativamente com a entrada em funcionamento dos novos projetos industriais no Namibe e na Zona Económica Especial, permitindo atingir cerca de 500 colaboradores nos próximos dois anos.
Em termos de volume de negócios, somos um grupo constituído por pequenas e médias empresas, com uma estratégia muito clara: privilegiar valor e qualidade em vez de crescimento descontrolado. Num ano positivo, o grupo pode atingir um volume de negócios entre 7 e 10 milhões de dólares, valor que ainda não reflete o impacto das novas unidades industriais.
Mais do que os números atuais, interessa-nos a trajetória de crescimento. A nossa estratégia passa por continuar alinhados com as necessidades dos clientes, acompanhar a evolução do mercado, investir na inovação, na produção nacional e nas pessoas, sempre em sintonia com a estratégia de desenvolvimento económico do Governo e com as melhores práticas empresariais.
O nosso objetivo não é apenas crescer enquanto grupo. Queremos crescer de forma sustentável, criar mais emprego qualificado, gerar valor para os clientes e contribuir para uma economia angolana cada vez mais forte, diversificada e competitiva.
3. Como está o grupo a melhorar os seus sistemas, serviços e processos operacionais para servir melhor os clientes em Angola?
Amin Herji: A inovação sempre fez parte da nossa forma de gerir. Desde o início percebemos que a tecnologia seria um fator decisivo para tornar as empresas mais eficientes e oferecer um melhor serviço aos clientes.
Fomos dos primeiros a apostar em sistemas informáticos de gestão e, ao longo dos anos, temos acompanhado a evolução tecnológica, atualizando continuamente as nossas plataformas e processos. Hoje dispomos de sistemas modernos, fiáveis e ajustados à realidade do grupo.
Essa evolução também se refletiu na nossa estrutura. O que começou com um único técnico de informática transformou-se num departamento especializado e, mais tarde, deu origem à Primetech, empresa tecnológica do grupo, responsável pelo desenvolvimento e gestão das nossas soluções digitais.
Um dos melhores exemplos desta aposta é a plataforma Intellixia, desenvolvida em Angola por uma equipa maioritariamente angolana. Nasceu para responder às necessidades internas de gestão de ativos do grupo, mas rapidamente percebemos que podia criar valor para muitas outras organizações. O seu lançamento na ANGOTIC demonstra que é possível desenvolver tecnologia competitiva em Angola e responder aos desafios do mercado com soluções nacionais.
A tecnologia é, acima de tudo, um meio para melhorar a experiência do cliente. Permite-nos prestar um serviço mais rápido, mais eficiente e mais rigoroso, otimizar processos, reduzir custos operacionais e apoiar uma tomada de decisão cada vez mais inteligente.
Continuaremos a investir na inovação porque acreditamos que empresas mais eficientes são empresas mais competitivas e mais capazes de servir os seus clientes.
4. Em termos de sustentabilidade, que ações concretas está a Easygest a tomar para operar de forma mais eficiente, responsável e ambientalmente consciente?
Amin Herji: A sustentabilidade não é apenas uma tendência; é um compromisso que procuramos integrar na cultura das empresas do grupo. Estamos alinhados com as melhores práticas ambientais, de sustentabilidade e de responsabilidade corporativa, procurando crescer de forma equilibrada e responsável.
A nível pessoal, sempre tive uma forte preocupação com a preservação do ambiente. Acredito que cada um deve dar o seu contributo e procuro fazê-lo através de pequenas ações consistentes, como a plantação de árvores e a valorização dos espaços verdes. Ao longo do meu percurso também recusei projetos economicamente atrativos por entender que poderiam ter impactos ambientais negativos. Há valores que não devem ser comprometidos.
Nas empresas, esta visão traduz-se igualmente em medidas concretas. Temos vindo a investir na digitalização dos processos para reduzir progressivamente o consumo de papel, objetivo que já permitiu uma redução significativa e que continuará a ser uma prioridade.
A sustentabilidade também tem uma dimensão social muito forte. Todas as empresas do grupo dispõem de fundos sociais destinados a apoiar os colaboradores em momentos importantes das suas vidas, seja em situações de saúde, apoio familiar ou outras necessidades. Desenvolvemos igualmente ações junto das comunidades, sempre com um perfil discreto, porque acreditamos que o verdadeiro impacto está nas ações e não na sua divulgação.
Estamos igualmente preparados para reforçar este compromisso através dos mecanismos previstos na futura Lei do Mecenato, mas, independentemente do enquadramento legal, continuaremos a apoiar iniciativas que promovam o desenvolvimento das pessoas e das comunidades.
Para nós, crescer de forma sustentável significa criar valor económico, respeitar o ambiente, investir nas pessoas e contribuir para um desenvolvimento mais equilibrado de Angola.
5. Olhando para o futuro, quais são as principais prioridades da Easygest para o crescimento, o investimento e a criação de valor de longo prazo em Angola?
Amin Herji: A nossa principal prioridade é continuar alinhados com a estratégia de desenvolvimento de Angola. Acreditamos que um sector privado forte, dinâmico e responsável é essencial para acelerar o crescimento económico, criar emprego e gerar riqueza.
Temos acompanhado com confiança o investimento do Estado em infraestruturas, logística, comunicações e conectividade, porque estas são condições fundamentais para que as empresas possam investir, produzir e crescer. O Estado e o sector privado têm papéis complementares: o Estado cria as condições e os empresários transformam essas oportunidades em investimento, inovação e emprego.
É precisamente essa visão que orienta o Grupo Easygest. Estamos comprometidos com a diversificação da economia, o reforço da produção nacional e a criação de valor sustentável. Cada novo investimento representa mais indústria, mais emprego, maior rendimento para as famílias e um efeito multiplicador em toda a economia.
Nos próximos anos, o nosso foco passa pela conclusão das novas unidades industriais, pela consolidação do projeto agroindustrial Tomagro, pelo desenvolvimento de um grande projeto agrícola no norte do país e pela construção de centros comerciais que possam criar melhores condições para o investimento privado em várias províncias.
Continuaremos igualmente atentos a oportunidades na indústria, na hotelaria e no turismo, sectores com enorme potencial de crescimento em Angola. Acreditamos que o país reúne condições excecionais e que, à medida que as infraestruturas continuam a evoluir, surgirão novas oportunidades para investidores nacionais e internacionais.
O nosso compromisso é continuar a investir com uma visão de longo prazo, contribuindo para uma economia mais diversificada, mais competitiva e menos dependente de um único sector.
6. Como Presidente do Conselho de Administração, lidera uma empresa com crescente relevância em serviços comerciais e investimento estratégico. Tendo em conta esta responsabilidade, que visão orienta a sua liderança e que legado gostaria de construir através da Easygest?
Amin Herji: Acredito que um verdadeiro líder não é apenas alguém que dirige; é alguém que inspira, forma, ouve e cria condições para que os outros cresçam. É essa a filosofia que procuro aplicar todos os dias.
Valorizo muito o trabalho em equipa. Gosto de ouvir as pessoas, reconhecer mérito, delegar responsabilidades e criar um ambiente onde todos sintam que fazem parte da construção do futuro do grupo. As melhores decisões são aquelas que resultam da partilha de conhecimento e da confiança entre as equipas.
Outro princípio inegociável é a integridade. Ao longo de quatro gerações construímos um património que vale mais do que qualquer negócio: o nosso bom nome. A reputação conquista-se com transparência, seriedade, cumprimento dos compromissos e respeito pelos clientes, parceiros e colaboradores. Esse é o legado que quero deixar às próximas gerações de gestores do grupo.
Quero igualmente deixar um legado de inovação, organização e evolução permanente. O mercado muda todos os dias e as empresas têm de acompanhar essa transformação, investindo em tecnologia, talento e conhecimento.
Mas talvez o maior legado que gostaria de construir seja através das pessoas. Hoje empregamos cerca de 300 colaboradores e queremos chegar aos 500 num futuro próximo, continuando a crescer. No entanto, a minha verdadeira ambição vai muito além desse número. Quero continuar a criar oportunidades para milhares de angolanos.
Foi por isso que escolhi investir em Angola. Aqui, cada empresa que cresce, cada fábrica que abre e cada posto de trabalho criado tem um impacto direto na vida das pessoas. Não estamos apenas a construir empresas; estamos a ajudar famílias, a desenvolver comunidades e a contribuir para o futuro do país.
É essa a maior recompensa. O sucesso empresarial mede-se pelos resultados financeiros, mas também pela capacidade de transformar vidas. Se, no futuro, puder ser recordado como alguém que criou oportunidades, gerou emprego e contribuiu para o desenvolvimento de Angola com seriedade, transparência e responsabilidade, sentirei que cumpri a minha missão.


































































































