1. A AIPEX concentra funções de promoção do investimento privado e de promoção das exportações numa única instituição. Que marcos operacionais definem melhor esta fase da agência, e de que forma este modelo melhorou a capacidade de Angola para atrair investidores e apoiar exportadores?
Arlindo das Chagas Rangel: Esta fase é marcada pela integração da promoção do investimento privado e das exportações numa única estratégia de desenvolvimento económico, bem como pela evolução para um modelo de facilitação activa, que acompanha o investidor desde a manifestação de interesse até à implementação do projecto.
Houve igualmente um reforço da coordenação institucional para reduzir constrangimentos administrativos e acelerar a execução dos investimentos, assim como a implementação da Janela Única do Investidor, a expansão da tramitação electrónica dos processos e, em breve, a disponibilização digital do CRIP. A maior articulação com entidades como a AGT, o BNA e o SME está também a tornar os processos mais rápidos, previsíveis e eficientes.
Este modelo tornou Angola mais acessível, previsível e competitiva, reforçando a capacidade do país para atrair investimento de qualidade, apoiar a internacionalização das empresas angolanas e contribuir para a segurança alimentar através do investimento produtivo.
2. Angola compete por capital num momento em que os investidores analisam com atenção a rapidez de execução, a clareza jurídica e as oportunidades financiáveis. Que números demonstram melhor os resultados atuais da AIPEX na atração de investimento, facilitação de projetos e promoção das exportações?
Arlindo das Chagas Rangel: Desde 2021, foram registados cerca de 600 projectos de investimento privado, representando aproximadamente USD 21,3 mil milhões. Em 2025, foram registadas 123 intenções de investimento, correspondentes a USD 7,65 mil milhões em montante inicial e USD 8,99 mil milhões, considerando todas as fases dos projectos.
Estes investimentos preveem a criação de mais de 125 mil postos de trabalho. Desde 2021, foram efectivamente criados mais de 35.900 empregos directos. Verifica-se também uma crescente concentração dos investimentos em sectores produtivos.
O principal indicador de sucesso da AIPEX é a implementação efectiva dos projectos e o seu impacto na economia real. Paralelamente, temos reforçado a promoção das exportações através de feiras, missões empresariais e apoio à certificação.
3. Os investidores precisam de informação clara, interação mais rápida e apoio prático ao entrar em novos mercados. Como está a AIPEX a melhorar as suas ferramentas e serviços para tornar Angola mais fácil de compreender e aceder?
Arlindo das Chagas Rangel: A digitalização constitui um dos pilares estratégicos da AIPEX. A Janela Única do Investidor centraliza os principais serviços e permite descarregar directamente o CRIP, enquanto a plataforma Invest in Angola disponibiliza informação crítica sobre o enquadramento legal, as oportunidades de investimento, os incentivos e benefícios fiscais e os sectores prioritários.
A tecnologia é complementada pelo acompanhamento institucional personalizado, assegurando apoio prático ao investidor durante todas as fases do projecto.
4. O Corredor do Lobito tornou-se uma das plataformas mais visíveis de Angola para comércio regional, logística e investimento internacional. Como está a AIPEX a posicionar Angola para captar novas oportunidades de investimento em torno deste corredor estratégico?
Arlindo das Chagas Rangel: A AIPEX promove o Corredor do Lobito como uma plataforma integrada de logística, comércio, produção e investimento, valorizando a posição estratégica de Angola como porta atlântica da África Austral e Central.
Esta estratégia procura impulsionar o desenvolvimento de cadeias de valor, as exportações e as oportunidades para as PME, através da promoção de investimentos nos sectores da agricultura, logística, agro-indústria, indústria transformadora, mineração, energia e serviços.
Procuramos igualmente aproveitar o acesso aos mercados da SADC e da Zona de Comércio Livre Continental Africana, reforçando a imagem de Angola como uma plataforma regional de investimento e integração comercial.
5. Angola precisa de investimento que crie valor para além da entrada de capital. Em termos práticos, como é que a AIPEX incentiva investimentos que apoiem a produção local, o emprego, as competências e o desenvolvimento de longo prazo?
Arlindo das Chagas Rangel: A qualidade do investimento é tão importante quanto o seu volume. A criação de valor é um dos principais critérios considerados na atribuição de incentivos fiscais e aduaneiros.
São privilegiados projectos que produzam localmente, criem emprego qualificado, reforcem a segurança alimentar, substituam importações e aumentem as exportações. Promove-se também a transferência de tecnologia, a integração de fornecedores nacionais e o fortalecimento das PME.
6. Os projetos de investimento podem ter um efeito direto nas comunidades onde operam. Que compromissos de responsabilidade social ou iniciativas de impacto comunitário a AIPEX incentiva junto dos investidores, e como devem esses benefícios ser medidos para as comunidades angolanas?
Arlindo das Chagas Rangel: A AIPEX incentiva investimentos que promovam emprego digno, formação profissional, transferência de tecnologia, integração de fornecedores locais e utilização responsável dos recursos.
Os benefícios são avaliados pelos resultados concretos alcançados por cada projecto, através de indicadores como os postos de trabalho criados, o número de trabalhadores qualificados e de empresas locais integradas, o aumento da produção nacional, o contributo para a segurança alimentar e a melhoria das condições económicas das comunidades.
7. Angola procura atrair mais investimento privado para sectores produtivos capazes de apoiar a diversificação e as exportações. Quais são as principais prioridades da AIPEX para atrair novos investidores, expandir a base exportadora de Angola e reforçar a proposta de valor do país?
Arlindo das Chagas Rangel: As principais prioridades passam por atrair investimento para sectores como a agricultura, a agro-indústria, a indústria transformadora, a energia, a logística, o turismo, a mineração e a economia digital.
Pretendemos reforçar a segurança alimentar, a substituição de importações e o aumento das exportações, além de continuar a melhorar o ambiente de negócios através da digitalização, da simplificação administrativa e do acompanhamento activo do investidor. O sucesso continuará a ser medido pela implementação efectiva dos projectos.
8. Como Presidente do Conselho de Administração da AIPEX, o seu papel coloca-o no centro da relação de Angola com investidores, exportadores, instituições públicas e o sector privado. Que visão orienta a sua liderança, e que legado gostaria de deixar no panorama do investimento e da promoção das exportações em Angola?
Arlindo das Chagas Rangel: Exercemos uma liderança baseada na transparência, no pragmatismo e numa sólida cultura de resultados. Pretendemos que a AIPEX seja reconhecida como um parceiro estratégico de negócios e facilitador de soluções.
Trabalhamos para consolidar uma relação de confiança entre o Estado, os investidores, os exportadores e o sector privado, através de uma actuação eficiente, transparente e orientada para resultados.
O legado que pretendemos deixar é uma Angola integrada nas cadeias globais de valor e reconhecida como um destino seguro, dinâmico e altamente rentável para o investimento privado. Queremos ver a marca Made in Angola valorizada internacionalmente e consolidar uma AIPEX moderna, ágil e digital, motivo de orgulho para todos os angolanos.


































































































