Orlando Soares
CEO / Diretor Executivo - Step Ahead

1.  Para começarmos, gostaria de recuar um pouco e falar sobre o percurso da empresa. Ao longo de mais de duas décadas, a Step Ahead tem desenvolvido tecnologia destinada a tornar a administração pública angolana mais eficiente, integrada e transparente. Quais foram os marcos mais importantes da empresa, e de que forma contribuíram para o seu posicionamento atual?

Orlando Soares:
A Step Ahead é uma empresa angolana focada no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a Administração Pública e para organismos públicos. Somos uma software house especializada neste sector, onde temos vindo a desenvolver conhecimento e experiência ao longo de mais de duas décadas.

Quando falámos anteriormente, tentei explicar à Maria que talvez fôssemos uma das poucas empresas presentes na ANGOTIC com esse foco exclusivo na Administração Pública. É um mercado diferente, mas é também um mercado com muitas necessidades.

Isto acontece porque a Administração Pública precisa de tecnologia que auxilie o dia a dia de todos os utilizadores e de todas as pessoas que trabalham na administração pública. Nós já temos mais de 20 anos de experiência nesta relação com o setor público. Por isso, trabalhamos diretamente com os organismos, percebemos os seus problemas diários e tentamos sempre, a partir de cada problema, criar uma solução tecnológica que ajude a eliminá-lo ou a mitigá-lo ao máximo.

Não é um processo fácil. Leva tempo, sobretudo com as dificuldades logísticas e físicas que existem em Angola. Temos clientes desde ministérios até administrações municipais, e muitas vezes encontramos dificuldades diferentes, mas a base é sempre a mesma.

Um dos princípios que esteve na origem da Step Ahead foi precisamente deixar de depender apenas da importação de tecnologia e apostar no desenvolvimento de soluções criadas em Angola, com capital humano angolano e adaptadas à realidade do nosso país. Não pretendemos competir com as grandes empresas internacionais pela dimensão. O nosso maior valor está no conhecimento profundo da realidade da Administração Pública angolana e na capacidade de desenvolver soluções adaptadas às necessidades do país.

O nosso objetivo é permitir que os decisores tenham acesso a informação fiável e possam tomar decisões com base em dados e não em suposições. Esse continua a ser um dos pilares da Step Ahead.

 

2.  Passando agora para a dimensão atual das operações, o SIGMA Angola integra funções administrativas essenciais através de uma plataforma modular adaptada às instituições públicas do país. Que indicadores demonstram melhor a sua escala atual em termos de instituições abrangidas, utilizadores, processos automatizados, tempo poupado e eficiência operacional?

Orlando Soares:
O SIGMA é uma plataforma que tem vindo a evoluir continuamente desde 2004 e que hoje integra cerca de 30 módulos especializados para diferentes áreas da Administração Pública. Ao longo destes anos foi sendo implementada em diferentes organismos públicos, desde administrações municipais a ministérios, acompanhando a evolução das necessidades do setor e contribuindo para a automatização de processos, maior controlo da informação e apoio à tomada de decisão.

O SIGMA tem uma história importante. É uma plataforma que está em Angola desde 2004. Veio para cá nesse ano e, neste momento, está completamente adaptada à realidade angolana.

O SIGMA teve origem numa solução utilizada em Portugal, mas, desde a sua implementação em Angola, foi profundamente evoluído e adaptado às necessidades da Administração Pública angolana, tornando-se uma plataforma desenvolvida localmente e com características próprias.Em 2004, a plataforma foi introduzida para controlar a parte da receita nas administrações públicas locais. Mais tarde, em 2013, passou também a integrar um projeto nacional, o SIIGAT, porque respondia às necessidades da administração pública local.

A ideia era disponibilizar às administrações públicas, através do próprio MAT, uma ferramenta preparada para o futuro das autarquias locais. As autarquias ainda não aconteceram, mas, quando acontecerem, já existe uma ferramenta.

A ferramenta é tão completa que temos uma aplicação para controlar os cães e os gatos existentes num município, controlar mercados, saber quem vende em cada mercado, controlar cemitérios, saber quem está enterrado em cada campa, controlar os sinais de trânsito, saber onde estão localizados, entre muitos outros aspetos e entre muitas outras áreas da gestão municipal. São cerca de 30 módulos.

O que fizemos este ano, a partir de um desafio que lançámos no final do ano passado, foi evoluir a plataforma SIGMA para o StepOS. Com base em todo o know-how que temos e em tudo o que já existia no SIGMA, evoluímos para uma plataforma nova, atual, com várias novas funcionalidades integradas, incluindo inteligência artificial (Kamba IA).

Essa é a história do SIGMA e do trabalho que temos desenvolvido.. Costumo dizer que talvez não sejamos a maior empresa do setor, mas temos um conhecimento muito profundo da realidade da Administração Pública angolana. E é esse conhecimento que faz a diferença na qualidade das soluções que desenvolvemos. O StepOS representa a evolução natural de todo este conhecimento acumulado ao longo de mais de duas décadas, incorporando uma arquitetura mais moderna, novas funcionalidades e inteligência artificial.

Entrevistadora:
Pode impactar milhões de pessoas.

Orlando Soares:

Sim. Esse é o desafio que observamos todos os dias. Estamos constantemente a encontrar novos problemas e a perguntar: o que podemos fazer?

Se temos uma situação em que alguém demora uma semana a fazer um trabalho, e conseguimos reduzir esse prazo de uma semana para um dia, já é um avanço. Mas não queremos ficar por aí. Queremos que passe para duas horas.

Estamos sempre a tentar perceber como podemos agregar valor. Alguém dá uma ideia, analisamos, testamos. É complicado, mas já estamos cá há algum tempo e queremos continuar.

Luzia:
A ferramenta deve ser um auxílio para que o utilizador consiga resolver questões que, sem ela, seriam muito difíceis.

Orlando Soares:
Exatamente. Uma das coisas importantes que temos visto é a confiança nos dados.

Costumo dizer que, por vezes, prefiro ter 100 registos fiáveis do que um milhão de registos sem qualidade. Se tenho 100 registos corretos, confio nesses dados. Mas se tenho um milhão de registos e, ao fazer uma extrapolação, percebo que aquilo é uma anormalidade, então esses dados não servem.

Também queremos dar essa confiança a quem trabalha connosco. Quando alguém olha para um dado e diz que são 100 milhões, 50 milhões ou 10 milhões, temos de ter a certeza daquilo que estamos a entregar. Só assim quem está à frente de uma organização pode tomar decisões.

Caso contrário, torna-se sempre difícil. Vemos dados e perguntamo-nos se podemos confiar neles. A ideia é que, se a Luzia dá um dado e eu dou um dado, estejamos todos a trabalhar com a mesma fonte. Não pode ser o meu ficheiro Excel dizer 100 e o ficheiro Excel de outra pessoa dizer 75. Esse é o nosso desafio diário.

Hoje existem organismos públicos que utilizam diariamente as nossas plataformas para gerir milhares de processos administrativos e apoiar decisões com base em informação centralizada e fiável.

 

3. Falando agora de inovação e tecnologia, o Projeto de Aceleração Digital de Angola, avaliado em 300 milhões de dólares, está a criar um novo impulso para os serviços públicos digitais e a modernização institucional. Como está a Step Ahead a aperfeiçoar o SIGMA através da automatização, integração de dados e adoção de novas tecnologias?

Orlando Soares:
A inovação sempre fez parte da evolução das nossas plataformas. O SIGMA foi crescendo ao longo dos anos e essa evolução levou-nos naturalmente ao StepOS, uma plataforma preparada para integrar novas tecnologias, nomeadamente Inteligência Artificial. Angola é um país com uma população muito jovem. Para nós, foi uma alegria e uma surpresa agradável ver tantos jovens interessados, mesmo sendo uma empresa muito específica, focada no setor público.

Fomos felizes na escolha do nome da nossa inteligência artificial, que é Kamba IA. “Kamba” significa amigo. As pessoas perguntavam-nos o que era o Kamba IA.

O Kamba IA não é um chatbot. Estamos a criar um assistente virtual para cada utilizador adaptado ao contexto da organização onde trabalha. Isto significa que o Kamba IA estará no servidor de cada organismo. Não é uma ferramenta como as que usamos hoje online, como ChatGPT ou Perplexity. É tudo local, para que os dados não saiam do servidor e da esfera do cliente. O nosso objetivo não é criar mais um chatbot. Queremos criar um verdadeiro assistente inteligente para cada utilizador.

Se eu fizer uma pergunta e pedir dados de recursos humanos, a ferramenta vai ler a informação de RH e responder, por exemplo, que somos 100 ou 200 pessoas, com determinada percentagem de mulheres e homens. Vai auxiliar o utilizador nas suas tarefas diárias com base nos dados existentes na plataforma.

Não é um chatbot genérico para fazer perguntas gerais. Ele vai aprender. Cada utilizador terá o seu assistente, que vai conhecendo cada vez melhor a forma como trabalha e adaptando as respostas àquilo que normalmente pergunta. Isso é importante.

Uma das ferramentas mais importantes que temos é a gestão documental. É um processo complexo, mas de extrema importância em Angola. Qualquer documento que entra numa organização corre o risco de se perder.

A ideia é que o documento entre, seja digitalizado e fique arquivado. A partir daí, fazemos o levantamento de processos dentro de cada organização, desenhamos todos os fluxos existentes, percebemos por onde o documento passa, quem o recebe, quem o tem e se ultrapassou o prazo. Assim conseguimos identificar gargalos e perceber onde a informação não flui.

Quando chegamos às instituições, fazemos reengenharia de processos. Levantamos o processo e perguntamos: isto funciona assim, mas porquê? Muitas vezes a resposta é “porque sim” ou “porque sempre foi assim”.

Mas se um processo é feito da mesma forma há 20 anos, é preciso lembrar que há 20 anos não havia computadores nem internet como hoje. Talvez já não faça sentido. Se uma tarefa tinha 10 passos, talvez possa passar a ter cinco.

As nossas plataformas servem para apoio interno da organização. Mas, sempre que possível, queremos que aquilo que existe internamente também seja uma mais-valia para o cidadão que solicita um procedimento ou processo à organização.

Por exemplo, se eu pedir uma certidão, faz sentido que consiga acompanhar o meu pedido e saber se está em análise, se está para assinatura ou se já pode ser levantado.

Tentamos sempre casar estas duas dimensões. As nossas plataformas são abertas e estão disponíveis para integrações com as ferramentas necessárias, sobretudo ferramentas do Estado. O Estado, muitas vezes, é fechado neste tipo de integrações, mas estamos sempre disponíveis porque acreditamos que o objetivo é fazer mais e melhor, com menos trabalho.

Acreditamos que o utilizador não deve adaptar-se à tecnologia, a tecnologia é que deve adaptar-se ao utilizador e à realidade da organização. Partimos sempre do problema. Muitas vezes, uma solução que faz sentido num escritório, quando chegamos ao terreno, já não faz sentido. Então voltamos atrás, revemos, ajustamos e testamos.

Trabalhamos muito com projetos-piloto. Antes de avançar, testamos. Preferimos validar no terreno antes de implementar em larga escala. Um teste que costumo fazer é pedir a alguém que nunca viu a ferramenta para a utilizar. Se a pessoa consegue utilizá-la de forma intuitiva, estamos no caminho certo. Se não consegue, não vale a pena avançar daquela forma.

Entrevistadora:
Então, o objetivo é que seja mais intuitivo?

Orlando Soares:
Tentamos sempre. A literacia informática hoje é maior do que há 10 anos. Também houve uma renovação de muitos funcionários públicos. Os mais novos já têm mais facilidade em trabalhar com computador, internet e ferramentas digitais.

Ainda existem diferentes níveis de literacia digital, o que exige um forte investimento em formação e acompanhamento. Perguntam por que devem fazer aquilo ou como o vão fazer. Mas tentamos explicar que, se todos trabalharmos alguns minutos por dia numa plataforma, uma tarefa que poderia demorar uma semana pode passar a demorar uma hora.

O utilizador talvez tenha de despender 10 minutos por dia para atualizar um cadastro, colocar faturas ou associar documentos. Depois, quando alguém quiser um relatório, a informação já está disponível.

Muitas vezes, o chefe já nem precisa pedir um relatório manualmente. Ainda assim, isto exige mudança de mentalidade dentro das instituições públicas. Há alguns anos era mais difícil; agora estamos melhor. O caminho faz-se caminhando.

Entrevistadora:
Ainda há muito por fazer.

Orlando Soares:
Há ainda muito caminho para percorrer, mas acreditamos que Angola está a evoluir de forma muito positiva. Hoje existe uma maior abertura para a inovação e para a transformação digital, e isso deixa-nos muito otimistas relativamente ao futuro. Na Step Ahead acreditamos que a inovação não está apenas na tecnologia. Está sobretudo na capacidade de simplificar processos e melhorar a forma como as organizações trabalham.

 

4. Gostaria agora de abordar a importância das parcerias. A Step Ahead afirma manter acordos de transferência de tecnologia com universidades e participar em programas internacionais de investigação. Que parcerias têm criado mais valor, e onde identifica oportunidades para estabelecer novas parcerias estratégicas?

Orlando Soares:
Acreditamos que a inovação não se faz de forma isolada. As parcerias são fundamentais para acelerar o desenvolvimento tecnológico e criar soluções mais completas para os nossos clientes. Como falámos com a Maria, esta foi a nossa primeira participação na ANGOTIC. Era um projeto que queríamos ter concretizado no ano passado, mas quando analisámos, já era tarde demais. Então decidimos que este ano seria o ano da nossa participação.

Para nós, foi muito importante. Voltando ao início, somos uma empresa diferente, porque trabalhamos apenas com o Estado. Muitas empresas perceberam isso. Durante a ANGOTIC tivemos oportunidade de conversar com empresas de diferentes setores e dessas conversas surgiram novas ideias e oportunidades de colaboração. Mas dessas conversas surgiram ideias. Neste momento, em Angola, sempre que queremos fazer um pagamento ao Estado, usamos o RUP, que faz parte do documento de pagamento ao Estado. Atualmente, esse pagamento pode ser feito através do Multicaixa Express ou do Multicaixa.

Começou então a surgir a ideia de que talvez seja necessário encontrar formas de fazer esses pagamentos não apenas através da rede Multicaixa, mas também por outras vias, como Unitel Money ou outras soluções. Isso surgiu em conversas com outras empresas.

Seria excelente que o cidadão não tivesse de depender apenas do Multicaixa Express para efetuar pagamentos ao Estado. Acreditamos que, no futuro, poderão surgir mais alternativas de pagamento que aumentem a conveniência para o cidadão e reforcem a interoperabilidade entre plataformas.

Também estivemos com a Angola Cables, e foi uma surpresa interessante. A nossa plataforma pode funcionar num servidor do cliente ou na nuvem, consoante a escolha do cliente. Se o cliente tem servidores, colocamos lá a solução. Se quer colocar na nuvem, também é possível.

Cada vez mais se coloca a questão da governança dos dados e da necessidade de alojar os dados em Angola. Quando começámos este projeto, quase não existiam soluções locais. Procurávamos soluções com servidores na nuvem, VPS ou VDS, dedicados ou não dedicados, e as opções eram quase inexistentes.

Na ANGOTIC, percebemos que a Angola Cables já tem uma série de soluções que podem servir-nos. Podemos ter mais serviços, incluindo serviços de cloud, servidores dedicados e capacidade de computação para inteligência artificial. Eu pensava que teríamos de procurar tudo isso fora, na Azure, na AWS ou em fornecedores europeus, mas afinal existe essa oportunidade em Angola.

Foi muito positivo perceber que hoje Angola já dispõe de infraestruturas tecnológicas capazes de suportar projetos exigentes nas áreas de cloud, alojamento de dados e inteligência artificial. Nesse sentido, a ANGOTIC foi uma lufada de ar fresco.

Saímos de lá com muitas ideias. Não queremos perder o foco, porque temos coisas que queremos terminar, mas há várias oportunidades para conversar com a Angola Cables e outros parceiros.

Para nós, é excelente. Temos de dizer: estamos aqui, temos este know-how. Mas precisamos de parcerias. Sozinhos, não vamos conseguir chegar muito longe. Temos de encontrar parceiros, cada um com a sua experiência e o seu contributo. Cada um é especialista numa área. Acreditamos que nenhuma empresa consegue transformar um ecossistema sozinha. O sucesso depende da capacidade de criar parcerias onde cada entidade contribui com o seu conhecimento e especialização.

Digo muitas vezes que não gosto de vender sonhos. Somos muito realistas. Não queremos vender sonhos; queremos pegar num problema que existe e transformá-lo numa realidade diferente, ou seja, resolver o problema. Preferimos apresentar soluções concretas e construir resultados em conjunto com os nossos parceiros.

Isto é importante porque muitas vezes vemos situações em que se vendem sonhos e depois nada é concretizado. Mas há alguns sonhos que acredito que podem ser realizados, inclusive a partir de parcerias que vimos na ANGOTIC. Para nós, foi muito importante.

Também acreditamos que a ligação entre empresas, universidades e centros de conhecimento será cada vez mais importante para desenvolver talento e acelerar a inovação tecnológica em Angola.

 

5. Passando para a sustentabilidade, a gestão digital de documentos pode reduzir os processos baseados em papel, melhorando simultaneamente o controlo e o acesso à informação pública. Como está a Step Ahead a ajudar as instituições a operar com maior eficiência e a adotar práticas administrativas mais sustentáveis?

Orlando Soares:
A gestão documental tem um impacto muito significativo nas organizações públicas.. Os custos que uma organização pública tem  com papel, impressão, consumíveis e energia são muito altos.

Em alguns locais, quando tudo funcionava em papel e depois passou por uma transformação digital, com os documentos a serem digitalizados, as impressões baixaram drasticamente. Quando conseguimos mostrar que no ano anterior se gastou determinado valor em papel e, no ano seguinte, esse valor caiu para menos de um terço, o impacto é enorme.

Não estamos a falar apenas de sustentabilidade. Estamos também a falar de impacto financeiro e de tempo. O impacto financeiro é muito significativo.

Muitas pessoas ainda têm o hábito de imprimir tudo. A partir do momento em que o processo está digitalizado e disponível num computador, num tablet ou em casa, a pessoa pode aceder à informação sem ter de imprimir novamente.

Entrevistadora:
E também há o impacto no espaço físico.

Orlando Soares:
Sem dúvida. Quando fazemos trabalhos de digitalização com alguns clientes e vemos os arquivos físicos, percebemos o problema. Muitas vezes, aquilo que está arquivado já não serve. Está tudo deteriorado, agarrado, desorganizado. Fisicamente, é complicado.

Depois, quando alguém precisa de um documento, pergunta onde está. A resposta muitas vezes é: está naquela sala. Mas onde, exatamente? Se fosse um arquivo organizado, ainda demoraria, mas chegava-se lá. Quando é desorganizado, torna-se quase impossível.

Por isso, a transformação digital é importante. Hoje falamos muito de transformação digital, inteligência artificial, governança e cibersegurança. Tudo isso é importante. Mas a transformação digital só faz sentido quando produz resultados concretos para as organizações e para os cidadãos.

A transformação digital obriga muitas vezes a reestruturar processos internos. Por vezes, é preciso dar um passo atrás para depois avançar. Obriga todos a trabalhar de forma diferente.

Em Angola, ainda encontramos organizações onde o acesso à informação depende da pessoa que guarda o documento.. A partir daí, mais ninguém tem acesso ao documento. Com o que fazemos, isso deixa de acontecer.

Vamos encontrar resistência, porque vamos introduzir novas formas de trabalhar. Essa é mais uma dificuldade no nosso processo diário: mostrar às pessoas que isso precisa de mudar.

Luzia:
Mas, depois de instalado, as pessoas já não querem voltar atrás. Acabam por se habituar e aceitar.

Orlando Soares:
É um processo de muita perseverança da nossa parte. Primeiro explicamos e trabalhamos com factos. Dizemos sempre: se nos deixarem, vamos provar com factos que, daqui a algum tempo, vocês não vão conseguir trabalhar de outra forma e vão trabalhar menos.

Os documentos ficam guardados, pesquisáveis e disponíveis. Claro que com permissões para cada pessoa, mas a informação deixa de se perder. Mais do que digitalizar documentos, o nosso objetivo é garantir que a informação fica acessível, segura e disponível para quem realmente precisa dela, no momento certo.

Ao reduzir o consumo de papel, impressão e arquivo físico, estamos também a contribuir para práticas mais sustentáveis e para uma utilização mais eficiente dos recursos das organizações.

 

6. Para além da atividade empresarial, gostaria também de falar sobre o impacto da Step Ahead na sociedade. As empresas tecnológicas podem promover a inclusão digital, a educação e o desenvolvimento de competências locais. Que iniciativas de responsabilidade social está a Step Ahead a desenvolver, e de que forma estão a gerar um impacto mensurável nas comunidades angolanas?

Entrevistadora:
Então vocês têm o produto, instalam o produto e depois formam as pessoas para o utilizar. Ou seja, fazem todo o processo.

Orlando Soares:
A ideia é sempre essa. Criamos a solução, instalamos a solução, damos formação e acompanhamos.

Em Angola, estamos quase sempre no back office. Na Step Ahead privilegiamos os resultados. O nosso maior reconhecimento é ver as soluções a funcionar e a criar valor nas instituições onde são implementadas.

Temos sempre uma equipa próxima do cliente. Alguém tem uma dúvida, entra um novo colaborador, há uma alteração no organismo, surge um novo departamento ou é preciso criar um novo fluxo. Estamos sempre a fazer ajustes.

Isto é importante porque, em Angola, existem muitas boas ideias, mas depois a manutenção do que foi feito nem sempre acontece. É como comprar um carro novo: se não fizer manutenção, o carro começa a degradar-se. O software é igual. O software não pode ser estático, porque as organizações evoluem constantemente, a legislação muda e surgem novas necessidades.

É preciso ter alguém para apoiar. Muitas dúvidas são resolvidas rapidamente pelos nossos técnicos. Mas é muito importante o apoio pós-implementação. Não se pode pensar que se comprou, instalou e ficou pronto. É preciso acompanhar o dia a dia, tirar dúvidas e fazer manutenção.

Sem esse acompanhamento, o projeto perde dinamismo e dificilmente produz os resultados esperados. Por isso, damos muita importância ao acompanhamento diário.

Luzia:
Também fazemos muita formação. Depois de implementar o produto, damos formação em sala, mas também fazemos acompanhamento no local. Damos muita formação, porque sem esse incentivo o processo não se consolida em pouco tempo.

Orlando Soares:
As formações tradicionais em sala são importantes, mas não chegam. Toda a gente pode dizer que entendeu, mas as dúvidas reais surgem no dia a dia. É quando a pessoa está a trabalhar que aparece a dúvida: aconteceu isto, como fazemos?

Temos equipas no terreno a acompanhar os utilizadores. Alguns têm mais dificuldade, outros menos, mas estamos lá para apoiar.

Também é assim que vemos os problemas reais. Não damos apenas uma formação e vamos embora. Com aquilo que fazemos, isso não funciona. A nossa experiência demonstra isso diariamente.

A ferramenta também serve para criar rotinas. E as rotinas criam-se com o tempo. Não basta implementar, dar uma formação e dizer que o produto agora é do cliente. Se voltarmos meses depois, sem acompanhamento, muitas vezes a rotina não foi criada, porque ainda não havia esse hábito.

Temos de nos adaptar à realidade. Há necessidade de um acompanhamento maior.

Desde o início deste projeto, também nos lançámos um desafio. Em projetos anteriores, grande parte das equipas não era local. Desta vez, quisemos fazer o projeto com capital humano angolano, porque são as pessoas de cá que conhecem melhor as dificuldades do dia a dia.

Para nós, investir em capital humano angolano é também uma forma de contribuir para o desenvolvimento tecnológico do país e garantir que o conhecimento permanece em Angola.

Quem vem de fora pode adaptar-se, mas quem está cá conhece a realidade de forma natural. Para nós, isso é muito mais fácil.

Também damos muita formação internamente. Todos os dias a equipa cresce um pouco mais, para depois passar essa informação e esse know-how aos nossos clientes.

Acreditamos que a nossa maior contribuição para a sociedade passa pela transferência de conhecimento. Sempre que implementamos uma solução, investimos também na formação das pessoas e no desenvolvimento das competências das equipas locais.

O nosso objetivo não é apenas entregar tecnologia. É desenvolver competências, criar autonomia nas organizações e deixar equipas preparadas para evoluírem de forma sustentável.

 

7. Olhando agora para o futuro, o progresso de Angola no Índice de Maturidade GovTech de 2025 e o investimento em infraestruturas digitais estão a criar novas oportunidades para as empresas tecnológicas locais. Quais são os principais planos da Step Ahead para novas soluções, investimento, expansão e criação de valor a longo prazo?

Orlando Soares:
A nossa ambição é grande e temos uma visão muito clara para o futuro da Step Ahead. Queremos continuar a desenvolver tecnologia cada vez mais integrada, inteligente e adaptada à realidade da Administração Pública angolana.

Somos uma empresa que tem crescido de forma sustentável, consolidando conhecimento e experiência ao longo dos últimos anos.Gostaríamos de chegar mais longe. Já trabalhamos com ministérios e com clientes grandes. Os clientes onde estamos sabem que somos uma mais-valia, porque acrescentamos valor ao trabalho diário deles.

Acreditamos que, quando Angola avançar para as autarquias locais, estaremos preparados para disponibilizar uma plataforma tecnológica capaz de apoiar essa nova realidade administrativa.

Sabemos que será um desafio, mas as aplicações podem moldar-se, porque os organismos públicos funcionam de forma semelhante.

Nos próximos anos continuaremos também a investir na evolução do StepOS e do Kamba IA, porque acreditamos que a Inteligência Artificial terá um papel cada vez mais importante na modernização da Administração Pública.

 

Queremos que, daqui a alguns anos, o país possa olhar para a Step Ahead como uma empresa que  construiu o seu percurso e que acrescentou muito valor aos organismos públicos, apoiando a tomada de decisão, a forma de trabalhar, a organização interna e a comunicação com o munícipe e com o cidadão.

Queremos contribuir para que tudo seja mais transparente e funcione de forma mais equilibrada de Cabinda ao Cunene. Acreditamos que podemos ser uma mais-valia nessa área, nem que seja pela experiência que temos. Queremos ser um dos players na organização pública e pretendemos continuar a ser um parceiro de confiança da Administração Pública, contribuindo com conhecimento, inovação e tecnologia para construir instituições mais eficientes, mais transparentes e mais próximas dos cidadãos.

O nosso objetivo não é apenas acompanhar a evolução tecnológica. Queremos participar ativamente na construção da próxima geração de soluções para a Administração Pública em Angola.

 

8. Para terminarmos, gostaria de passar para uma questão mais pessoal sobre liderança e legado. Lidera a Step Ahead num momento em que o governo digital se tornou uma prioridade nacional, enquanto o SIGMA reúne mais de duas décadas de experiência operacional. Qual é a conquista de que mais se orgulha, e que legado gostaria de deixar na transformação digital de Angola?

Orlando Soares:
Na Step Ahead nunca cultivámos a cultura do “eu”. Sempre acreditámos no trabalho de equipa.

Posso ter uma ideia, mas muitas vezes essa ideia é complementada por uma ideia da Luzia ou de algum colega. Também acontece eu ter uma ideia que parece interessante, chegar ao terreno e perceber que afinal não faz sentido. Então volto atrás.

O que eu gostaria, olhando para estes anos em Angola, era que, daqui a algum tempo, pudéssemos ver que contribuímos para a modernização da Administração Pública. Mais do que desenvolver software, gostava que a Step Ahead fosse lembrada como uma empresa que ajudou a mudar a forma como as instituições públicas trabalham e servem os cidadãos.

Queremos que, quando alguém for a uma instituição pública pedir um documento, o processo funcione de forma transparente e correta.

Já vimos situações em que alguém vai pedir um atestado ou outro documento e aparece alguém a dizer que não precisa entrar, que já tem o papel assinado. O que queremos é que isso deixe de acontecer.

Também já participámos em projetos em que as pessoas podem pedir documentos a partir de casa, através do portal do cidadão, do portal do contribuinte ou do município.

Queremos que tudo isso evolua. Se eu quiser pedir um licenciamento, devo poder fazê-lo a partir de casa e saber se está em análise, deferido ou indeferido.

Queremos que a Step Ahead seja uma das empresas que ajude a melhorar o relacionamento entre a instituição pública, o cidadão e o munícipe.

Além disso, queremos que os organismos públicos tenham mais rigor, apoiados nas plataformas que desenvolvemos e que estão disponíveis para uso.

Sem dados, é difícil gerir. Costumamos usar o exemplo de uma administração municipal com 10 mercados. Como sei se um mercado está a operar bem ou não, se não sei se arrecadou mais ou menos do que no mês passado? Como sei se estamos a evoluir, seja na gestão de mercados e feiras, se não tenho dados para comparar?

Num projeto em que utilizámos o SIGMA, conseguimos perceber, por mercado, o que foi arrecadado mensalmente e semanalmente. Se no mês passado arrecadei um milhão e este mês arrecadei 500 mil, alguma coisa aconteceu. É preciso perceber porquê.

O nosso objetivo é sermos uma empresa com experiência e conhecimento da realidade pública angolana, parceira na simplificação e modernização administrativa.

Angola tem o Simplifica e o Simplifica 2.0. Queremos ser uma plataforma que possa apoiar esse tipo de projeto. Não queremos atrair os louros para nós. Queremos continuar a contribuir, lado a lado com as instituições públicas, para uma Administração Pública cada vez mais moderna, eficiente e transparente.

Temos uma frase que gostamos de dizer aos nossos clientes: nunca queremos ser parte do problema; queremos sempre ser parte da solução. Problemas já há muitos.

Luzia:
E, com tudo isso, ajudar a modernizar.

Orlando Soares:
Sim. A modernização administrativa é muito importante. Muitas vezes pensamos logo na digitalização, mas antes da digitalização tem de haver modernização administrativa. É preciso evoluir processos e alterar processos.

Esse é muitas vezes o desafio que lançamos aos clientes: isto é assim porquê? Obrigamos as pessoas a parar e pensar. Muitas vezes a resposta é que sempre foi assim. Mas estamos numa transição e algumas coisas já não fazem sentido.

É importante obrigar as pessoas a saírem da sua zona de conforto. Ao longo do tempo, com factos, os resultados são bons. É complicado fazer com que as pessoas aceitem, mas com o tempo conseguimos.

É um processo interessante. Chegamos a um local onde não havia nada, passamos alguns meses a trabalhar, e depois voltamos e vemos as coisas a funcionar, com as pessoas a trabalhar sozinhas.

Temos clientes em que fizemos a implementação há anos e continuam a utilizar a ferramenta. Para nós, isso é excelente. É o maior caso de sucesso: não termos de estar lá permanentemente, voltando apenas quando há uma dúvida ou algo novo.

Até chegar aí, tivemos de estar lá durante muito tempo, porque a rotina precisa de ser criada e incorporada.

Quando as coisas são impostas, é mais difícil. Mas quando explicamos o porquê, a pessoa entende e percebe que aquilo vai ser útil e vai retirar trabalho. Aí começa a apropriar-se da ferramenta.

Quando é imposto apenas por imposição, os resultados não são tão positivos. Temos de explicar. Se todos na organização perceberem que o objetivo é aquele e que estamos todos a remar para o mesmo lado, a resistência diminui.

Se daqui a alguns anos olharem para trás e disserem que a Step Ahead contribuiu para tornar a Administração Pública angolana mais eficiente, mais transparente e mais próxima dos cidadãos, então sentiremos que cumprimos a nossa missão.Muito obrigado. Foi um prazer recebê-los aqui. As nossas portas estão abertas sempre que quiserem.

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Agostinho da Rocha Fernandes da Silva
Presidente do Conselho de Administração (PCA) – Nova Cimangola
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David Wang
Chief Executive Officer - Ution Tecnologia Lda
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Masayasu Yamashiro
President - Okinawa Financial Group
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David Hanna
CEO - Finmo, Singapore
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Imran Abbasi
CEO of Pakistan Petroleum Limited
Ernest Enrique, Chairman & CEO, CMS Corporation
Ernest Enrique
Chairman and CEO of CMS Corporation (United States – Guam Operations)
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Álvaro Rey
General Manager of InterContinental Presidente
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Setsuko Hashimoto
Representative Board Director and President/CEO, CellSeed Inc
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Nelson Soutinho
Director de Engenharia - CARMON
Promasidor ceo
Vitor Santos
General Manager at Promasidor Angola
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Roxanne Guerin
Directora-Geral - EUROSTRAL, LDA
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Daniel Araujo
CEO - Asseco
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Hugo Teles
CEO at Banco BIC
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Vladimir Ferraz
Presidente do Conselho de Administração Banco de Comércio e Indústria (BCI)
PCE Nuno Veiga
Nuno Veiga
CEO – Pay4All
EM director
Sebastião Vemba
Diretor – Economia & Mercado
Minister industry and commerce
Rui Miguêns de Oliveira
Ministro da Indústria e Comércio
Lusocola ceo
Gonçalo Soveral
Sócio – Gerente da Lusocola
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João Teiga
CEO – Orey
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Salvador Muteka Tavares Emílio
General Manager at Shoprite Angola
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Nuno Nascimento
Vice Presidente – Lyon
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Sameer Jaffer
General Manager at SICIE
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Ulanga Gaspar Martins
CEO at Grupo Poliedro
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Paulino Fernando de Carvalho Jerónimo
PCA – Agência Nacional de Petróleo e Gás e Biocombustíveis
AGL ceo
Jean-Yves Lunot
Country Manager at AGL Angola
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Miguel Baptista
Managing Director – Central, East and Southern Africa SLB
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José Carlos Figueiredo
CEO – Teleservice
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Abilio Almirante
CEO – Transgás
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Victor Povoa
Diretor Geral - Americanflag
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Venâncio Epolua
CEO – G4S Angola
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João Carlos Barbot
Administrador Delegado – Barbot Angola
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Fabio Bravo da Rosa
PCE – Hybris Soluções
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Angelo Gama
CEO da Angola Cables
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Tiago Morais
General Manager - Nova Sotecma
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Tomasz Dowbor
CEO at Grupo Boa Vida
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Frans Jol
CEO – SOGESTER(Sociedade Gestora de Terminais)
Porto de soyo
Fernando Dias
PCA, Porto do Soyo
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Maria Miguel Pinto
General Manager at Raxio Angola
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Artur Duarte
CEO da Tranquilidade Angola
Prometeus
António Magalhães
Director-Geral de PROMETEUS
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Hélder Carreira
Managing Partner at Tintas Toptech
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Adilson Mangueira Nelumba
Founder & Managing Director, Copia Group
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Maria das Dores Jesus Correia Pinto
Presidente da Agência de Proteção de Dados (APD)
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Paul McDade
CEO of Afentra
CEO- Carlos Firme
Carlos Firme
CEO da Fortaleza Seguros
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Ricardo Grion
CEO da Black Ouro Serivces
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Christine Baleto
President and CEO, Docomo Pacific
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Siska S. Hutapea
Founder & President, Cornerstone Valuation
Jamika Taijeron, Managing Director, MVA (1)
Jamika Taijeron
Managing Director, Marianas Visitors Authority
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Alexis Fallon
President of Tano Group
Derek Sasamoto, Executive Director, CEDA
Derek Sasamoto
Executive Director, Commonwealth Economic Development Authority (CEDA)
Jere Johnson, Hawaiian Rock Products
Jere Johnson
President of Rock Products Corporation and Hawaiian Rock Products
CUC Directors 2025
Richard Hew
President and CEO of Caribbean Utilities Company
Geoff Ruddick, Managing Director and Country Head of Hawksford Cayman
Geoff Ruddick
Managing Director and Country Head of Hawksford Cayman Islands
Alanna Trundle, President of Global Captive Management (GCM)
Alanna Trundle
President of Global Captive Management Limited
Benjamin Reid, CEO of The Catalyst Group
Benjamin Reid
Founder & Chief Executive Officer (CEO) of The Catalyst Group
Fleur Coleman and Stefan Cohen, Co-Owners, The Agency
Fleur Coleman & Stefan Cohen
Co-Owners and Co-Brokers of The Agency Real Estate Cayman Islands
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Michael Joseph
CEO of Property Cayman
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Troy Burke
Co-Owner and Director of Heritage Holdings
Charlie Kirkconnell, CEO Cayman Enterprise City
Charles Kirkconnell
CEO of Cayman Enterprise City
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James Lagan
Director at Bronte Development
Luis Nigorra
Luis Nigorra
Director of Golf Santa Ponsa
Operatec
Alberto Figuereido
Chief Executive Officer (CEO) of Operatec
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Paul Ko
Director, Heep Wo Investment
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Kelotsositse Olebile
Chief Executive Officer (CEO) of the Botswana Investment and Trade Centre (BITC)
Foto entrevistados
Ben Seager & Quest Maundo
General Manager and Lodge Manager at Xigera Safari Lodge
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Samson Ruwisi
MD for Seed Co Botswana & Group Head of Treasury and CCU Markets
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Mikael Landström
Founder and CEO of the Portixol Group.
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Mohamed Siyame
President of the Chamber of Commerce and Industry Angola–Saudi Arabia (CCIAAS)
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Juan Carlos Alvarez
World Bank Country Manager for Angola and São Tomé and Príncipe
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Jean-Raphaël Gros-Désormeaux
Director of Research at CNRS Antilles
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Béatrice Bellay
Member of Parliament for Martinique
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Bénédicte di Géronimo
President of the Martinique Tourism Committee
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Pablo Carrington
Founder & CEO of Marugal Distinctive Hotel Management
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Jonny Greenall
Founder and Managing Director of Balearic Helicopters
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Isabel Teruel
Operations Director and General Manager of Port Adriano, Vice President of the Balearic Nautical Association.
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Maria Renart
CEO of Essentially Mallorca