1. Antes de mais, obrigado por nos receber, Sr. Paulo. Desde o início das suas operações, em 2002, a Novagest tornou-se uma referência em catering corporativo, produção alimentar, logística e gestão integrada em Angola. Quais foram os principais marcos da empresa?
A Novagest afirmou-se como uma referência em Angola pela combinação de excelência operacional, capacidade logística e rigoroso controlo da qualidade. Esta exigência faz parte do ADN da empresa desde a sua origem, até porque nasceu a servir o sector petrolífero, onde os padrões de qualidade, segurança e fiabilidade são particularmente elevados.
Um dos principais factores diferenciadores da Novagest é a capacidade de controlar a qualidade ao longo de toda a cadeia de valor, desde a aquisição das matérias-primas até ao armazenamento, transporte, processamento, preparação e entrega final. Isto é especialmente relevante num país como Angola, onde a logística pode ser bastante complexa, quer nas operações offshore, quer no abastecimento a clientes em províncias distantes.
Ao longo de mais de duas décadas, a empresa construiu uma reputação sólida de fiabilidade e consistência. Mesmo em períodos particularmente desafiantes, como o da Covid-19, conseguiu assegurar a continuidade do serviço com elevados padrões de qualidade.
Outro marco importante foi o desenvolvimento da capacidade industrial da empresa. A Novagest dispõe hoje de uma cozinha central com capacidade para produzir até 40.000 refeições por dia no modelo cook and chill, bem como de uma unidade industrial de padaria e pastelaria. Esta estrutura permite responder com escala, flexibilidade e eficiência a diferentes necessidades dos clientes, desde o fornecimento diário de refeições até eventos e soluções para o retalho.
Em 2025, a empresa alcançou a certificação ISO 9001, um passo importante no reforço da consistência, da disciplina operacional, da qualidade e da eficiência. Em 2026, dará início à implementação da ISO 22000, reforçando a sua aposta na segurança alimentar. Em paralelo, está a avançar com a implementação do SAP e com uma agenda mais ampla de transformação digital e melhoria de processos.
Olhando para o futuro, a Novagest pretende consolidar a sua posição em Angola, reforçar a presença junto de clientes premium, expandir para novos sectores e avançar para a internacionalização. Ao mesmo tempo, a Novagest está também a alargar a sua oferta integrada de serviços, nomeadamente na área de facilities management, incluindo limpeza, lavandaria e manutenção.
2. Falando em termos mais concretos, que números demonstram melhor a força actual da empresa em termos de operações, procura dos clientes, força de trabalho e crescimento?
A Novagest emprega actualmente cerca de 2.100 trabalhadores a tempo inteiro, dos quais aproximadamente 99% são angolanos. É também uma empresa 100% angolana, o que reforça o seu contributo para o desenvolvimento do emprego, da competência local e da economia nacional.
Do ponto de vista operacional, a empresa dispõe de uma cozinha central com capacidade para produzir até 40.000 refeições por dia, apoiada por uma estrutura industrial de padaria e pastelaria, frota própria e um armazém com 10.000 metros quadrados em Viana. Esta base operacional permite-lhe responder com rapidez, fiabilidade e controlo a clientes exigentes, em sectores onde a continuidade de serviço e a segurança alimentar são críticas.
3. Referiu há pouco a tecnologia. Como é que a empresa está a utilizar tecnologia e controlo inovador de processos para melhorar a qualidade, a eficiência e a segurança alimentar? O SAP faz parte desse percurso?
Sim, o SAP é uma componente central desse percurso, mas a transformação em curso vai muito além da implementação de um sistema. Uma das primeiras prioridades deste Conselho de Administração foi definir uma cultura organizacional renovada, assente em cinco valores fundamentais: qualidade, transparência, colaboração, inovação e sustentabilidade.
Com base nesses princípios, a empresa lançou uma agenda abrangente de revisão de processos e transformação digital, com o objectivo de reduzir procedimentos manuais, reforçar o controlo, melhorar a rastreabilidade e aumentar a eficiência.
No nosso sector, a tecnologia é essencial não apenas para ganhar produtividade, mas também para assegurar consistência, reduzir risco e reforçar a segurança alimentar. Sistemas mais robustos permitem melhorar o planeamento, a gestão de stocks, o controlo de compras e a monitorização das operações, tornando a digitalização um pilar fundamental da excelência operacional.
4. Como está a empresa a utilizar práticas mais sustentáveis para melhorar as operações e criar valor de longo prazo para clientes e comunidades?
A sustentabilidade é um dos valores centrais da Novagest e uma prioridade estratégica da empresa. No ano passado, desenvolvemos um plano formal de sustentabilidade, cuja implementação está agora em curso. Trata-se de uma abordagem ainda pouco comum no sector em Angola, o que distingue positivamente a empresa.
A agenda de sustentabilidade da Novagest inclui gestão de resíduos, redução do desperdício alimentar, diminuição do consumo de água e energia, redução do uso de plásticos de utilização única e sensibilização dos colaboradores. São medidas concretas, com impacto operacional, ambiental e social, que contribuem para criar valor de longo prazo para clientes, comunidades e para a própria organização.
5. Poderia falar-nos um pouco mais sobre as iniciativas ESG e comunitárias da Novagest, e sobre a forma como refletem os valores da empresa?
Para a Novagest, ESG não se limita a políticas ou processos internos. Está também ligado à forma como a empresa se relaciona com a sociedade e coloca as suas capacidades ao serviço de um impacto positivo.
A empresa apoia uma associação sem fins lucrativos através da doação de refeições e produtos alimentares, que são depois distribuídos por orfanatos e centros de acolhimento. Apoia também iniciativas filantrópicas em hospitais em datas festivas, em parceria com outras organizações.
Além disso, a Novagest recebe regularmente grupos de estudantes no seu centro de produção alimentar, proporcionando-lhes contacto directo com a operação e sensibilizando-os para temas como nutrição, segurança alimentar e práticas sustentáveis. Esta ligação à comunidade faz parte da forma como a empresa entende a sua responsabilidade social.
6. Senhor Paulo, assumiu a liderança da Novagest em 2024, depois de uma carreira com funções de liderança nos sectores da energia, comunicação, tecnologia, desenvolvimento sustentável e organizações empresariais. Olhando para esse percurso, de que conquistas mais se orgulha e que legado gostaria de deixar enquanto líder que ajuda a reforçar o sector dos serviços e da hospitalidade em Angola?
Aquilo que mais valorizo é a construção de equipas fortes e a capacidade de empoderar pessoas. Sempre acreditei que a cultura organizacional é determinante: uma empresa pode ter uma excelente estratégia, mas se a cultura não estiver alinhada, a execução falha.
Por isso, uma das minhas principais prioridades tem sido ajudar a consolidar uma cultura organizacional forte na Novagest, assente em cinco valores: qualidade, transparência, colaboração, inovação e sustentabilidade. Esses valores têm de traduzir-se em comportamentos, em práticas de gestão e na forma como as pessoas trabalham em conjunto.
O legado que gostaria de deixar não é apenas o do crescimento do negócio, mas também o do fortalecimento institucional: ter as pessoas certas nos lugares certos, desenvolver equipas, melhorar processos, acelerar a transformação digital e consolidar práticas sustentáveis. Se conseguirmos construir uma organização mais forte, com melhores sistemas, equipas capacitadas e uma cultura sólida, estaremos a criar valor duradouro para a empresa e para o sector.


































































































